"noite e outras conspirações" no Table of Contents




Na primeira quinzena de Julho, a iniciativa Table of Contents vai contar com os trabalhos fotográficos de manuel a. domingos. “noite e outras conspirações” é o titulo deste trabalho que vai poder ver nos stand ups informativos das mesas do Café Concerto - Teatro Municipal da Guarda.

Os Sobreviventes




Estreia hoje às 21.30 horas no TMG. "Os Sobreviventes" de Manuel Poppe, com encenação de Américo Rodrigues e cenografia de Zigud. Interpretação de Dora Bernardo e João Miguel Melo.

Queixinhas

Não sou pessoa de me queixar pouco. Ando sempre a inventar coisas para me queixar. Ou é um furúnculo no nariz ou um joelho a doer-me ou o estômago que não me deixa em paz (maldita esofagite!) ou o raio que me parta. Queixo-me. Tenho 30 anos e sou um velho rabugento.

Outra vez Cossery




Cheguei tarde a Albert Cossery. Eu sei que é recorrente esta ideia em mim: a de chegar tarde à literatura. Mas adiante. Um dia lá me convenci a comprar um dos seus livros e lê-lo: A Casa da Morte Certa. Li-o em dois dias. Estava na Figueira da Foz. Era verão. Fiquei aterrado. Estava em casa e comecei a olhar para as pequenas fissuras das paredes, para a luz morna que entrava pela pequena janela no tecto. O calor começou a fazer-se sentir ainda mais. Nunca entrei tanto num livro que li (exceptuando talvez o A Oeste Nada de Novo, logo eu que nunca participei numa guerra – exceptuando as do Bairro, onde quase sempre fazia parte dos derrotados). E é dos derrotados, dos vencidos da vida, dos marginais que Cossery fala. Ele próprio não seria um derrotado? Um vencido da vida? Um marginal? Não sei. No entanto, é alguém que traçou o seu próprio caminho, que recusou fazer parte da turba. Como todos os outros que nos confrontam directamente com nós próprios, Albert Cossery estará, porventura, condenado ao esquecimento. Da minha parte, continuarei a lê-lo.

Os Sobreviventes



O Projéc~, estrutura de produção teatral do Teatro Municipal da Guarda, vai estrear a sua sexta produção no próximo dia 25 de Junho. Trata-se de “Os Sobreviventes”, de Manuel Poppe, com encenação de Américo Rodrigues e interpretação de Dora Bernardo e de João Miguel Melo. A peça ficará em cena no Pequeno Auditório até 27 de Junho, com sessões às 21.30 horas.«Os Sobreviventes não fala, apenas, dum amor impossível. O nosso tempo é o tempo da morte do amor. É o tempo da solidão. Do medo. Da fuga. Perdemos o sentido do sagrado, que exige o encontro, a entrega, a coragem do risco. O nosso tempo é um tempo dessacralizado. Os homens falam sozinhos, num deserto, no imenso vazio em que se transformou o mundo. A história de Esmeralda e Gabriel ilustra essa tragédia. E o reencontro deles, malgrado a diversidade que os divide, é um grito desesperado. Agarram-se um ao outro porque sabem que o seu amor, que sempre os aproximou e separou, representa a derradeira esperança. Em frente têm o glaciar - o circo povoado por fantasmas, a sociedade do culto do lucro, do neo-canibalismo, da indiferença. O reencontro representa a última (mas nunca consumada) batalha: querem confrontar-se. Será a única maneira de se recuperarem. Quer dizer: de recuperarem a condição de Pessoa, no universo dos objectos.» – escreve o autor, Manuel Poppe, sobre “Os Sobreviventes”.


O Projéc~ já levou a cena “…e outros diálogos”, de João Camilo, com encenação de Luciano Amarelo (Setembro de 2006), “A Cozinha Canibal”, de Roland Topor, com encenação de Américo Rodrigues (Janeiro de 2007), a ópera “Na Colónia Penal”, com texto de Franz Kafka e música de Philip Glass, numa encenação de Américo Rodrigues (Março de 2007), “O Barão”, de Luis de Sttau Monteiro, numa encenação de Fernando Carmino Marques (Setembro de 2007) e “Eu queria encontrar aqui ainda a terra”, de António Godinho e manuel a. domingos, com a encenação de Luciano Amarelo (Maio 2008).

Fonte: TMG

Albert Cossery



1913-2008

Mudança?


Acabei de almoçar duas potas grelhadas na brasa. Acompanhei as ditas potas com uma cerveja preta. Gostava de dizer que era sem álcool, mas não: foi uma cerveja preta com 5.5% de álcool. Hoje deu-me para exagerar. O balcão é sempre um lugar porreiro para ouvir as conversas das outras pessoas. De um lado criticavam o excessivo mediatismo que a selecção portuguesa está a ter; do outro referiam-se ao cessar-fogo entre Israel e o Hamas como uma fantochada (6 meses eram convertidos em 6 dias ou 6 horas). Fiquei surpreendido. Explico: julguei, até há pouco, que os portugueses eram pessoas que não se interessavam por política internacional, preferindo o futebol. Mas pelos vistos as coisas andam a mudar.

Aforismo de pacotilha


Se fosse para tratar de coisas sérias não me dedicava à escrita.

Necessidades


Se há coisa que não entendo é a necessidade que algumas pessoas têm de dizer que vão fazer chichi. Não compreendo. Ainda ontem ouvi várias vezes dizer à mesma pessoa “vou fazer chichi”. Agora digam-me: que tenho eu com isso? que me interessa a mim saber se vai ou não fazer chichi? Tinha uma colega de estágio que era bem pior! Dizia: vou mijar. Até arrepiava a espinha.

o amor é um cão do inferno


montanhas mongóis brilham na luz não se aprende nada com os clássicos

Micro # 48


Enviou um e-mail a cada um dos seus contactos dizendo o que pretendia fazer. Esperou um dia pelas respostas, mas como ninguém respondeu, adiou o suicídio por tempo indeterminado.

Suíça vs Portugal


Se me obrigassem a dizer a verdade sobre o dia de hoje diria que é um dia de merda. Para além de ser domingo (que é o dia da semana que menos gosto), este tempo meteorológico, que nem é carne nem é peixe, deixa-me deprimido. O calor é menor, mas está abafado. Nem o facto de jogar a selecção salva a situação, pois entro num dilema: vou-me embora durante o jogo (apanho menos trânsito de certeza) ou depois do jogo (e sujeito-me ao trânsito da nacional pois andar de auto-estrada sai caro). Como vêem não terminei a frase anterior com ? pois nem chega a ser uma questão, tal é o dia de merda que temos.

Da educação


«Penso, hoje, que educámos as novas gerações para que elas fossem mais felizes e, provavelmente, mais apresentáveis. A avaliar pelo retrato de conjunto, não conseguimos nem uma coisa nem outra. Não piorámos substancialmente, mas ficámos com mais dúvidas.»

António Sousa Homem, Os Males da Existência: crónicas de um reaccionário minhoto, Lisboa: Bertrand Editora, 1ª edição, 2008, p. 51.

Um Homem é um Homem é um Homem



Não conhecia António Sousa Homem. Cheguei a ele através do blogue de Francisco José Viegas, que parece conhecê-lo muito bem. Desta vez foi o título que me fez comprar o livro e não o nome do autor ou aquilo que ele escreve. Vou na página 57. Estou a gostar. É bom ler o que pensam "os outros".

Ventilan


Não sei se repararam mas sou asmático. Se lerem os textos que escrevo com atenção vêem que respiram mal. Isto para dizer que ontem tive uma crise d’ asma, algo que não me acontecia há algum tempo. Fui à bolsa dos medicamentos e o Ventilan estava fora de validade. Fui à farmácia. Lá inalei. Depois decidi dar uma volta e encontro um homem tombado numa rotunda, com a motoreta ainda a trabalhar, com carros a passar sem fazerem nada. Parei, desliguei a motoreta, levantei o homem (que sangrava um pouco) e chamei o 112, que não foi necessário pois o vinho que o homem tinha bebido disse-me que não ia para hospital nenhum. É claro que o Ventilan fez efeito. E cheguei a casa a respirar muito melhor.

Parece que...

aqui na Benedita já não há gasolina nem gasóleo.



Independente. Desalinhada. Incisiva. Fora dos esquemas familiares de favorecimento. Eis a nova Editora 4águas, projecto editorial dedicado à poesia. A primeira obra da 4águas estará disponível até ao final do mês de Junho: uma estreia absoluta do autor Pedro Afonso, com a edição do seu livro “Ainda Aqui Este Lugar”. Coincidência feliz, visto tratar-se de dois nascimentos que tiveram origem no mesmo ventre da poesia necessária. Com direcção editorial de Vítor Cardeira e Fernando Esteves Pinto, a Editora 4águas não pretende ser apenas uma editora do Algarve; vamos estar atentos a novas revelações, poetas com bagagem, forasteiros, pescadores de pérolas e esquizofrénicos ajuizados. A principal linha editorial é o horizonte – lugar de encontro onde os poetas se tocam com palavras nos olhos. Alheia às aflições comerciais, a 4águas faz-se distribuir pelo movimento dos leitores que chegarem até nós, refreando dessa forma a economia da ambição lucrativa, expressão que não faz bom título em nenhuma obra de poesia.

Imperativo


Leiam!

Dias grandes e luminosos

Há um ano atrás foi a época mais feliz que vivi nos últimos tempos. As aulas estavam quase a terminar, ultimava a peça de teatro que escrevi em co-autoria com o António Godinho e que estreou no mês passado, lia quase um livro por semana (que eu sou lento a ler), ia à praia quase todos os dias, vivia com a pessoa que mais adoro neste mundo e escrevia mais do que me era permitido. Os dias eram grandes e luminosos. Simplesmente. Se conseguisse voltava para lá. Foram dias felizes. Muito felizes. Eu sei que não devia estar aqui a partilhar isto convosco, pois há coisas que só a nós pertencem, como por exemplo os ruídos que fazemos quando vamos à casa de banho ou quando fazemos amor. Mas hoje o dia está a doer fundo (como diz a canção) e lembrar esse tempo, compartilhá-lo com vocês, torna tudo um pouco mais fácil.

1ª edição ou 16ª?

Um amigo falou-me da feira de antiguidades nas Caldas da Rainha. Fui até lá. Ia com a ideia de comprar alguns livros e foi o que fiz, a preços muito, mas mesmo muito, acessíveis: Os Meus Problemas, Miguel Esteves Cardoso (€5); Conversas Terminais, Fernando Esteves Pinto (€5); Os Três Seios de Novélia, Manuel da Silva Ramos (€2.50); Passarinhos, Anaïs Nin (€2.50). É claro que me quiseram impingir uma primeira edição de Herberto Helder (parece que é normal) e uma primeira edição de Luiz Pacheco. E outras primeiras edições de outros livros. É claro que não comprei nada disso. Há alguma diferença entre uma primeira edição e uma 16ª? Em alguns casos até há, mas a mim pouco me importa.

Parece que o Quim vai ser substituído pelo Nuno


Gostava, como sempre, de escrever alguma coisa de interessante, algo que revelasse uma certa sabedoria, inteligência. Mas os dias não estão para coisas demasiado difíceis e herméticas, principalmente quando o sol está a pedir roupa para secar.

Da poesia


Por vezes há um cão que vem até à porta da minha casa. Habituou-se aos restos que lhe dou. Hoje apareceu como sempre faz, pontualmente. Eu estava com um livro de poesia na mão e perguntei-lhe se queria ouvir um pouco de poesia. Mas num instante me virou as costas e foi embora.

Dia D + 64 anos


Esta será a foto mais conhecida do Dia D. Foi tirada no dia 6 Junho de 1944 por Robert Capa (1913-1954), que acompanhou a primeira vaga de assalto à praia de Omaha (nome de código na operação). Robert Capa tirou 79 fotografias das primeiras quatro horas do desembarque. No entanto, um técnico de laboratório pouco cuidadoso destruiu grande parte delas, deixando apenas 7 negativos intactos.

Lí por aí


«tens que dar um desconto ao Manuel que ele ainda não tomou os comprimidos para as alergias linguísticas»


Luís Filipe Cristóvão, aqui

Nota: conheço pessoalmente o Henrique e o Luís, mas eles conhecem-me melhor. Abraço aos dois.


Teaser


Partida

No princípio

Largada

não há poesia
ao contrário de e. e. cummings
Quando nos juntávamos
No andar a leveza
Viena
Todo o beijo
quando o dia terminar
Exercício de Geografia
Acordas de manhã
ninguém nos avisou que um dia
Soneto
N.W.O.
Budapeste
Todos nós temo Ítacas
5 estrelas
Neste poema
se este verso fosse aquele que hoje
Fala-me dos dias que
Silves
Verdade ou Consequência
Numa mesa quatro raparigas
Londres
Ulisses regressando a Ítaca
Clássicos
Guarda
L'unique question
Edward Hopper à janela
deixa-te de coisas
Se o amor fosse
Não te esqueças

Existem sombras
E o anjo veio e disse-lhe:
As Invasões Bárbaras - Denys Arcand
Praga
Poema da noite de ontem
Lembranças
Brel
O que sei da noite
Sobretudo gosto
Soneto #2
À memória de Charles Bukowski
A uma rapariga na esplanada
St. António pregando aos poetas
Deus não tem pulmões
As raparigas da minha terra
Escrevo-te
Às portas de Tróia
Às vezes a noite

Talvez um dia te diga


Fugida

Dentro de momentos toda a verdade

Seis Poemas ao Homem Moderno

Continente Desconhecido

Pensava que já não existiam continentes desconhecidos, mas afinal ainda os há.

Duas pequenas notas e não volto mais a estes assuntos (2)


1. Ainda não consegui definir a relação que tenho com Manuel Alegre. Não aprecio particularmente a sua poesia e não o aprecio como político. Uma pessoa que vive à custa de um partido e depois vem afirmar-se como paladino de uma seriedade que, bem analisadas as coisas, não tem, não merece o meu respeito. Analisemos com a frieza possível: o que é que Manuel Alegre já fez, na realidade, pelo país? Não lhe conheço obra (com excepção à literária, que, como já disse e volto a repetir, não aprecio). Manuel Alegre só desperta em mim o bocejar e uma vontade enorme de mudar de canal cada vez que o vejo na televisão.

2. Jerónimo de Sousa, referindo-se à eleição de Manuel Ferreira Leite como líder do PSD, disse que concordou com a imagem “virar de página”, mas lamentou que o livro é o mesmo. Tal comentário, vindo do líder do partido que mais à risca segue o mesmo livro durante anos, não é um bocado estranho? Ele não pensou nisso antes?

Português e Brasileiro


«Para engenheiros ou arquitectos, «cota» não é «quota». Accionistas falam de «quotas», que não são «cotas». À supressão destas diferenças chama-se agora simplificação.»

Francisco Belard, «Acordar?» em Ler, n.º 70, Junho 2008, p. 87.

Lí por aí


«Vestir pullovers cinzentos ou azul escuro, andar de jeans, só fumar cigarros Nat Sherman sem aditivos, ler Hamsun, Dostoievsky, Celan, tentar entender Heidegger e Spinoza além de Wittgenstein, ler Kafka, Gogol, whatever - e nem me refiro à música que oiço, aos filmes que vi ou vou vendo - nada contribui para que eu me sinta uma peça particularmente original no jardim zoológico do mundo.»

João Camilo, em Cadernos do Vagabundo.

Ó da Guarda - Festival de Novas Músicas


Dia 5: “La Scatola” – Um espectáculo intermédia” de Manuela Barile e Rui Costa. ‘La Scatola’ é um projecto transdisciplinar que explora múltiplas abordagens e trabalha sobre a zona de fronteira entre o “eu” e o mundo exterior. “Mundo submerso. A profundidade impalpável dos abismos. A obscuridade. A calma aparente. Forças opostas e contrárias. Rostos. Corpos. Pessoas. Lugares. A s imagens de um instante. Um instante passado. O passado dentro da água. Visões de uma realidade longínqua

Dia 6: "Mécanosphère", projecto de Adolfo Luxúria Canibal. "Mecanosphère" confronta, “num automatismo alucinado”, electrónica e acústica, percussões rotativas e manipulações eléctricas, ecos de free jazz e paisagens mentais. A construção musical de Mécanosphère assenta na utilização de live-looping, de sons analógico tocados e/ou samplados, de baterias e percussões acústicas, de electrónica orgânica e de frequências sub-graves. Não é utilizado qualquer sampler de fontes pré-existentes. "Mécanosphère" faz uma reinterpretação orgânica das linguagens da música de dança post-industrial electrónica (breakbeats, hip hop, dub) e uma reinterpretação do classicismo do rock tocado pelos processos e percepções da música electrónica.

Dia 7: "Ensemble Granular". Groove, Jazz, Rock, Funk e electrónica são as propostas dos músicos João Martins, Ulrich Mitzlaff, Nuno Rebelo, Emídio Buchinho, Ricardo Freitas e Miguel Cabral para este concerto. O Ensemble Granular actua sob o signo da improvisação, reunindo os especiais talentos destes músicos que se têm notabilizado a nível nacional e internacional nas diferentes áreas da música.

Dia 14: "Modified Toy Orchestra". Trata-se de uma orquestra muito especial que transforma brinquedos musicais de criança em sofisticados "instrumentos musicais". Modified Toy Orchestra é uma criação do músico Brian Duffy, que em Inglaterra já foi rotulado de génio, de louco e até de “tesouro nacional”. Duffy criou há seis anos a esta parte um novo movimento underground a que chamou “circuit bending”. Música electrónica e divertida, onde não faltam versões conhecidas como "Pocket Calculator", dos Kraftwerk.

Dia 20: “Canal Zero – Live act filme-concerto”. Apresentado pelos artistas João Bento, João Cabaço e Rodolfo Pimenta. Um projecto de fusão entre música electrónica e a música acústica aliada à imagem em tempo real, e que mostra como são infinitos os limites e as potencialidades de duas artes – música e vídeo – quando cruzadas.


Quanto aos bilhetes para o festival, os preços variam entre os 4 e os 7.5 euros, sujeitos aos descontos habituais. A assinatura do festival, que dá acesso a todos os espectáculos do Ó da Guarda, é de 13 euros. Adquira bilhetes aqui.

Vamos falar de coisas sérias


As visitas estão a diminuir. Os comentários também. Os textos não se safam. As ideias começam a faltar. Vendo bem: nunca existiram. Este é um blogue falhado.

Feira do Livro


Gostava muito de ir à Feira do Livro de Lisboa. Não vou. Em primeiro lugar: não há dinheiro para gasolina. Em segundo lugar: não há dinheiro para livros. Em terceiro lugar: tenho, felizmente, muito para ler em casa. É claro que gostava de ir até lá. Passear pelo parque, comprar livros a 3 e 4 euros. Ir à tenda das pequenas editoras. Era porreiro.

E arranjar um título para isto?


Escrever só por escrever. Escrever sobre tudo e, ao mesmo tempo, sobre nada. Frases feitas atrás de frases feitas e o estômago a dizer que é hora de ir almoçar. Greves organizadas pelos patrões, mas como está tudo de pernas para o ar ninguém estranha. Começa a ser estranha a normalidade, embora ninguém reconheça já o que isso é. Há uma voz que me sussurra ao ouvido e diz que são ventos de mudança. Assusto-me: não é costume ouvir vozes, muito menos vozes que me sussurram ao ouvido. Prossigo e escrevo só por escrever, sobre tudo e sobre nada, frases feitas atrás de frases feitas. Um ponto final aqui. Outro ali. Aqui.

O sentido literal das coisas

Daqui a uma hora saio de Manteigas a caminho de Coimbra. Depois janto em Coimbra e, por volta das nove da noite, vou para a Benedita. Lá espera-me uma casa um pouco fria. E não digo fria no sentido poético da palavra: é um pouco fria pela simples razão de ser mesmo um pouco fria: o sol quase que lá não dá e nestes dias pior ainda.

Acordar

Radiohead - Videotape

António Botto


Como diz Eduardo Pitta: «Já não há desculpa para não ler o Botto». Os dois primeiros volumes das obras completas de António Botto já se encontram disponíveis. O organizador explica os detalhes aqui e aqui.