Primeira decisão para 2008
Este blog não respeitará o Acordo Ortográfico.
5 Bandas Sonoras
O Luís pede-me 5 Bandas Sonoras. Elas aqui vão com uma pequena nota explivativa:
Tema velho e gasto
Em repeat

Alban Berg Quartett
Quarteto de Cordas 10 & 14 «A Morte e a Donzela» de Schubert
Lí por aí
Não há nada mais deprimente do que ser blogger. Principalmente quando actualizamos o blog (e lêmos blogs) na véspera de Natal.
Renton says
Meu Deus faz com que eu seja sempre um poeta obscuro
É hoje, às 20:50 na RTP2, que passa o documentário sobre Herberto Helder: Meu Deus faz com que eu seja sempre um poeta obscuro. A escrita de Herberto Helder marcou-me, mas devo confessar que foi mais a prosa. Ninguém consegue ficar indiferente a um livro como Os Passos em Volta: «-Se eu quisesse enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis.»*. É claro que há a poesia. A poesia é copiada e recopiada. O que não deixa de ser curioso: é conhecida a aversão de Herberto Helder a entrevistas, prémios, documentários, e depois tem um grupo de seguidores, discípulos. Mas o importante é não perder o documentário (possível) sobre Herberto Helder.Great Expectations
Um dia tudo fazer sentido.
Amadeu Baptista vence Prémio Literário Florbela Espanca 2007
O poeta Amadeu Baptista foi galardoado com o Prémio Literário Florbela Espanca - 2007, promovido pela Câmara Municipal de Vila Viçosa, com a obra Outros Domínios. Na reunião de Câmara do passado dia 19 de Dezembro, o Executivo Camarário deliberou homologar a acta do Júri de classificação das obras concorrentes ao Prémio Literário Florbela Espanca. De destacar, ainda, duas Menções Honrosas aos originais intitulados Espaço Livre com Barcos, de Graça Pires e Quebranta Água do Tempo, de Luís Aguiar.A minha terra está a morrer
- Então? Há novidades?
- Há. Morreu fulano, fulano e fulano.
Regresso
Está frio. Muito frio.
Rotina diária
Trabalho poético
O trabalho do poeta é como o do varredor de rua num dia de vento: ingrato.
Nariz entupido
Este post foi escrito com o nariz entupido.
Há coisas que não fazem sentido e são ofensivas
Uma rapariga que está sentada ao meu lado é um bom exemplo disso.
Cinco Filmes (post recuperado)
Platoon (1986), Oliver Stone
A Barreira Invisível (1998), Terence Malick
Eraserhead (1977), David Lynch
O Grande Ditador (1940), Charlie Chaplin
Plano 9 dos Vampiros Zombies (1958), Ed Wood
Peço desculpa, mas desta vez não passo a ninguém.
De todos os novos autores de Língua Portuguesa, Gonçalo M. Tavares (1970) é aquele que melhor consolidou o seu lugar no panorama literário português. Para além de inúmeros livros publicados num curto espaço de tempo (23 entre 2001 e 2007), que vão do romance à poesia e do ensaio ao teatro, Gonçalo M. Tavares cedo estabeleceu o seu percurso, isto é, o seu “programa” de escrita. Prova disso é a divisão feita pelo autor da sua obra publicada até à data: O Bairro, Canções, Enciclopédia, Bloom Books, Poesia, Estórias, Teatro, Investigações e O Reino (tetralogia composta por Um Homem: Klaus Klump, A Máquina de Joseph Walser, Jerusalém e Aprender a rezar na Era da Técnica).Aprender a rezar na Era da Técnica encerra em si um homem: Lenz Buchmann. Lenz Buchmann é um inadaptado dos dias em que vive, dias pobres e fracos. Lenz acredita na Força. Lenz Buchmann é um homem da Era da Técnica, desempenha uma profissão técnica (é cirurgião) e pouca importância dá à espiritualidade, à moral, que vê como elementos perturbadores de uma Sociedade que se quer forte. Mas Lenz é também um homem dominado pela figura do Pai (que nunca chega a “matar”), principal responsável pela Força de Lenz: «- Nesta casa o medo é ilegal» (p. 91). Um pai que se suicida aos 58 anos, no momento em que começa a sentir o seu declínio físico. A ideia de corpo continua presente neste romance como nos anteriores. Um corpo que é limitado, que a determinada altura deixa de cumprir a sua função.
Gonçalo M. Tavares é um escritor de ideias. Os seus romances são romances de ideias, de problemas. Em Aprender a rezar na Era da Técnica o conflito existente é evidente: como viver num mundo em que a Moral, e as decisões morais, são ultrapassadas pela Técnica, e pelas decisões técnicas? Como “rezar” num mundo que viu o seu centro unificador alterado? A Técnica tomou conta dos dias que são nossos, tomou conta da nossa maneira de pensar e agir. É mais imoral mentir ou não conhecer o novo Windows Vista? O Divino deixou de fazer parte das nossas vidas. É mais importante que a água continue a correr nas torneiras: «Se os crentes, ou os próprios padres, fizessem greve isso seria bem menos significativo e visível numa cidade do que uma greve de canalizadores ou electricistas. A boa circulação da água ou da electricidade torna-se, para o dia-a-dia, bem mais indispensável do que a boa circulação do sopro divino.» (p. 217). Evidente, não é? Mas será assim tão evidente?
Gonçalo M. Tavares, Aprender a rezar na Era da Técnica, Lisboa: Caminho, 2007, 383 pp.
Há quem tenha pedra na vesícula. Eu tenho a vesícula preguiçosa. Ter vesícula preguiçosa não é muito agradável. É como ter um grevista permanente no nosso organismo (não quero dizer com isso que os grevistas são preguiçosos: eu próprio já fiz várias vezes greve). Em primeiro lugar: temos que ter muito cuidado em escolher aquilo que comemos. Nada de leite, ovos, café, feijoada – principalmente à noite. Bebidas: só água e chá. Em segundo lugar: estamos sempre com uma sensação estranha de estar cheios mas com fome. E não podemos esquecer que a vesícula é fundamental para uma boa digestão. E para a escrita. Se a vesícula não trabalhar, como deve trabalhar, o escritor não consegue libertar-se, através da escrita, da bílis que o consome. A vesícula é necessária para quem escreve. Ela é o centro nevrálgico de toda a criação literária. Sem uma vesícula a funcionar correctamente, nunca teríamos a oportunidade de ler Homero, Kafka, Joyce, Musil, Dostoievski, Rimbaud, Lowry (ok, talvez Lowry seja a excepção, pois com a quantidade de álcool que ele consumia, a sua vesícula há muito que estaria desactivada) entre outros. A vesícula é fundamental. Sem ela não existiriam blogs. Não existiria este blog, o que talvez não fosse mau de todo.
Lançamento do livro Contos de Algibeira

