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É só para chegar aos 100 posts este mês.
Charles Bukowski foi um dos mais importantes escritores norte-americanos do século XX. A sua bibliografia é extensa. Em Portugal existe a possibilidade de adquirir três livros (editoras portuguesas). São eles: Charles Bukowski, Correios, Editora Canguru (ISBN 972-957-805-2)*; Charles Bukowski, Mulheres, Dom Quixote, (ISBN 972-202-006-4); Charles Bukowski, A Sul de Nenhum Norte, Relógio d’Água, (ISBN 972-708-370-6). Todos estes títulos são de prosa. A poesia de Charles Bukowski não existe em nenhuma editora portuguesa.
o amor é um cão do inferno
o amor é um cão do inferno é um blog dedicado à poesia de Charles Bukowski. Melhor: é um blog onde podem ser encontradas versões de poemas de Charles Bukowski. A poesia de Charles Bukowski anda afastada das editoras portuguesas. Não quero ser pretensioso ao dizer que o objectivo deste novo blog é preencher essa lacuna, mas é uma tentativa. Não tenho formação na área da tradução, traduzir para mim é um prazer, tal como dizia Paul Ricoeur: «O prazer de traduzir é um ganho quando, associado à perda do absoluto linguístico, aceita a diferença entre a adequação e a equivalência, a equivalência sem adequação. É aí que reside o seu prazer.». Os primeiros poemas foram publicados no versões. Muito em breve serão publicados novos poemas.
No próximo dia 23 de Março pelas 18h será o lançamento do livro de Henrique Manuel Bento Fialho - ESTÓRIAS DOMÉSTICAS - , no Bar Alinhavar, em Leiria.O mal
- Parece que tem um blog.
- Coitado! E isso tem cura?
Algo que não pensaria ler na Actual...
... uma crítica positiva a um livro de poesia de Jorge Reis-Sá.
Quando em 2002 Américo Rodrigues (na altura Presidente da direcção do Aquilo Teatro) me convidou para publicar, a minha resposta foi imediatamente sim. Na altura tinha a necessidade de ver os meus poemas em forma de livro, era uma espécie de sonho que se tornava realidade. Antes só os tinha dito em público, numa iniciativa da Câmara Municipal da Guarda chamada «Lugar aos Novos», e vi cinco desses poemas publicados na Revista Cultural Praça Velha, editada pela Câmara Municipal da Guarda. Depois, foi o convite para escrever um poema para acompanhar uma instalação da exposição «A Memória das Coisas». Finalmente o convite para o livro. E ele lá foi publicado em Março de 2002. Na apresentação do livro foram ditas palavras bonitas sobre ele, foram lidos poemas em voz alta e até houve uma bailarina a dançá-los enquanto eram ditos. A noite acabou num bar da cidade da Guarda com os amigos mais próximos. Passados 5 anos o livro ali está na prateleira. É um livro escrito por alguém com menos cinco anos do que aqueles que tem hoje. Talvez isso se note. Talvez não. É um livro desequilibrado, onde existe um ou dois poemas dignos de terem esse nome, e um ou outro verso mais conseguido. As influências são notórias: Eugénio de Andrade e António Ramos Rosa (mais o primeiro que o segundo). Américo Rodrigues, no seu “discurso”, pediu para eu nunca renegar este meu primeiro livro, como outros poetas tinham feito com os seus primeiros livros. Eu ri-me. E disse que só os grandes poetas é que faziam isso.
Recordar é viver: Março de 2002
Nascem rios
Do silêncios de fontes
O aroma a giestas
Permanece novo
Sobre o corpo
Também sobre os lábios
Um resto de água
O sabor do sal
Da terra.
Os meus amigos dizem que sou hipocondríaco. Mas que culpa tenho eu de ser asmático, sofrer de sinusite, ter uma esofagite, pedra nos rins, pé chato, pé de atleta (controlado!), princípio de hérnia discal, vesícula preguiçosa, miopia, astigmatismo e défice de audição no ouvido esquerdo!?
Os TV on the Radio são uma banda nova-iorquina fundada em 2001, considerada por David Bowie como a sua banda preferida do momento. Depois do êxito do seu primeiro álbum (Desperate Youth, Blood Thirsty Babes), os TV on the Radio editaram em 2006 Returne to Coockie Mountain, considerado por muitos como o melhor álbum desse ano. Os TV on the Radio praticam uma fusão de soul, gospel, funk, rock, pop, música electrónica e jazz, que lhes deu o estatuto de banda de culto entre os apreciadores mais ecléticos. No meio dessa ousadia, e no experimentalismo musical, encontramos letras soturnas, apocalípticas, que fazem lembrar o fim do mundo. Vasco Durão, na Mondo Bizarre #26, classifica os Tv on the Radio da seguinte maneira: «Uma música futurista e nostálgica ao mesmo tempo (como toda a música inovadora deve ser), onde ondas sonoras massivas, constantes e inebriantes, são sobrepostas pelas melhores vocalizações que nos foram dadas a ouvir nos últimos anos.». E são as vocalizações que mais me agrada na música dos TV on the Radio, onde as vozes de Tunde Adebimpe e Kyp Malone se fundem numa combinação perfeita , como por exemplo na primeira faixa: I was a lover. Mas não se pense que os TV on the Radio é só ecletismo. Em músicas como Hours e Wolf like me o grupo demonstra que também é capaz de fazer música com uma sonoridade mais pop e ao alcance de todos. No entanto, é nesse magnífico tema Blues from down here que os TV on the Radio estabelecem o seu território, onde a voz de Kyp Malone parece convocar todos os demónios existentes dentro de cada um de nós, possibilitando dessa maneira a purificação das nossas atormentadas almas. Numa altura em que parece existir um vazio na sonoridade de tudo aquilo que mais se ouve nas rádios, sendo cada vez mais visível o copy-paste, os TV on the Radio surgem como uma banda inovadora, capaz de marcar a diferença, capaz de surpreender. Como diz Vasco Durão: «há muito que não se ouvia (nem via) nada tão inovador». E é bem verdade.
Charles Bukowski #2
Eu vejo-te beber numa fonte com minúsculas
mãos azuis, não, as tuas mãos não são minúsculas
são pequenas, e a fonte é em França
Em 1969 Os Exércitos da Noite recebeu os dois mais importantes prémios literários dos Estados Unidos da América: o Pulitzer e o Natinal Book Award. E Norman Mailer foi considerado pela crítica como o melhor escritor do seu país na época, lugar que há muito siputava com outros nomes das letras norte-americanas: Gore Vidal, Tom Wolfe, Philip Roth, só para nomear alguns. Escritor polémico, acusado algumas vezes de pornográfico devido à crueza e à linguagem explícita utilizada em alguns dos seus romances, Norman Mailer consegue em Os Exércitos da Noite fazer a simbiose perfeita entre romance e história. O próprio livro é dividido em duas partes: A História como Romance e O Romance como História. Podendo ser inserido no chamado non-fiction novel (termo criado por Truman Capote quando publicou A Sangue Frio), Os Exércitos da Noite relata os acontecimentos anteriores e posteriores à Grande Marcha de protesto contra a Guerra do Vietnam, realizada em 1967, e que envolveu várias organizações e movimentos que contestavam a presença norte-americana no Vietnam. Tais acontecimentos são “relatados” de uma maneira directa e tendo em conta a visão subjectiva do autor/narrador. Norman Mailer disso nos dá conta, quando caracteriza o seu romance: «(…) o primeiro livro é uma história disfarçada, ou vestida ou apresentada como romance, e que a segunda é um romance real, verdadeiro – nem mais nem menos! - , apresentado em estilo de história» (p. 293). No entanto, a primeira parte não é mais do que uma história pessoal (não podemos esquecer que o próprio livro é iniciado com um excerto de um artigo da revista Time de 27 de Outubro de 1967), onde são mencionados certos acontecimentos que sucederam antes, durante e depois da Grande Marcha, onde são incluídos diálogos, excertos de discursos e onde as “personagens” são figuras públicas norte-americanas, como é o caso do poeta Robert Lowell. Já a segunda parte baseia-se em todos os relatos dos jornais, das testemunhas e das induções históricas feitas pelo autor. Contudo, Norman Mailer não pretende com este livro fornecer aos historiadores material que possam analisar para melhor entenderem um determinado momento da História norte-americana (embora o possam fazer, desde que conscientes dos riscos). Norman Mailer, aponta, essencialmente, erros à organização da Grande Marcha, crítica a falta de união entre os vários movimentos, e demonstra o seu desagrado por tudo aquilo que se passa nos Estados Unidos e com os Estados Unidos: «Mailer há anos que se referia às doenças da América, ao seu totalitarismo cada vez mais presente, à sua opressão, ao seu nevoeiro doentio.» (p. 222). Os Exércitos da Noite é, sem dúvida, um grande livro, tanto pela maneira como entrelaça de uma forma lúcida e limpa o jornalismo, a história e a ficção, mas também pela sua actualidade: «Meditai nesse país que expressa o nosso querer. É a América, dantes uma beleza em magnificência sem paralelo, uma beleza agora com pele leprosa. (…) Salvem-nos da nossa maldição. Pois temos de acabar naquela estrada onde a coragem, a morte e o sonho do amor prometem deixar-nos dormir».
Its just the wasted years so close behind
Next blog
Às vezes percorro blogs, com a ajuda da setinha lá em cima que diz next blog, e descubro verdadeiras pérolas filosóficas: «O amor não é a distante melodia de um violino. É o triunfante chiar das molas de um colchão».
Heather Duby tem uma voz pela qual nos apaixonamos rapidamente. Classificá-la não é fácil, embora angelical seja o adjectivo que, apesar de ser um lugar comum, mais se adapta. De facto a voz de Heather Duby é angelical, e é neste ponto que encontramos a primeira característica do álbum Post to Wire: a voz angelical contrasta com o lado negro da música, com os temas das canções (morte, amor, desespero, perda). A primeira coisa que vem à cabeça do ouvinte é: estamos na presença de mais um disco da 4AD. No entanto, Post to Wire foi editado pela Sub Pop. Sim, a mesma que editou o álbum de estreia dos Nirvana e muitos dos grupos que iniciaram e formaram aquilo a que se veio designar por movimento grunge. Mas Heather Duby é tudo menos grunge (Seatle, cidade onde Heather Duby vive, não “fabricou” só grupos grunge, exemplo disso são os Walkabouts). Post to Wire aventura-se por vários territórios, sendo quase uma miscelânea de vários estilos: a pop, o electrónico, a música de dança, as guitarras: estão presentes e combinam-se numa equilibrada fusão de sons e melodias, sem correr o risco de cair em exageros técnicos, pois toda a música de Heather Duby é simples e directa. E depois existem melodias fantásticas, como na faixa September, que nos envolvem, elevam e trazem de volta.
A partir de certa idade, certas pessoas começam a esperar certas coisas de nós. Eu, para certas pessoas, já ultrapassei essa certa idade, a partir da qual elas esperavam certas coisas de mim.
Nunca li o livro, mas nunca fui na conversa que os homens são de Marte e as mulheres de Vénus. Sempre vi mais os homens como pertencendo a Urano (já que Plutão foi desclassificado) e as mulheres a Mercúrio. Nunca a Marte e a Vénus. É que estão demasiado próximos.
De nada servem paninhos quentes, mornos ou à beira de serem aquecidos. As palavras querem-se cruas, em sangue.
Argonauta
Durante muito tempo não ouvi rádio. Tudo mudou a partir do momento em que comecei a trabalhar. As viagens de automóvel, que os ossos do ofício me obrigam a fazer, despertaram o meu interesse e o meu gosto pela rádio. Dos vários programas semanais que ouço Argonauta é um dos meus programas favoritos, e aquele ao qual sou mais fiel. Passa todos os Domingos entre as 22h e as 23h, na Antena 2.
Coisas que passam pela cabeça
Hoje cheguei a pensar que a vida tem, de facto, algum sentido.

«Fomos postos na Terra para andarmos por aí aos peidos. Não deixem que ninguém vos diga o contrário.»