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É só para chegar aos 100 posts este mês.

Mais do mesmo


Charles Bukowski foi um dos mais importantes escritores norte-americanos do século XX. A sua bibliografia é extensa. Em Portugal existe a possibilidade de adquirir três livros (editoras portuguesas). São eles: Charles Bukowski, Correios, Editora Canguru (ISBN 972-957-805-2)*; Charles Bukowski, Mulheres, Dom Quixote, (ISBN 972-202-006-4); Charles Bukowski, A Sul de Nenhum Norte, Relógio d’Água, (ISBN 972-708-370-6). Todos estes títulos são de prosa. A poesia de Charles Bukowski não existe em nenhuma editora portuguesa.

*título esgotado

Não-Aniversário

Este blog faz hoje 1 ano e 3 meses de existência. A todos aqueles que nos leram e não, linkaram e não, o meu muito obrigado.


Palavras de que gosto #5


- Ouvi dizer que escrevia bons poemas.
- Tretas!


o amor é um cão do inferno


Programa de festas

Hoje, às 21h30 na Igreja de São Pedro, em Manteigas, actuação do Quarteto de Cordas Avalonia. Formado pelos espanhóis Mário Navas Fernández (violino), Marta Fernández Escamilla (violino), Clara García Oliver (viola) e o português Nelson Ferreira (violoncelo), esta formação de música de câmara foi fundada em 2003, em Londres, onde os seus elementos frequentam o Trinity College of Music e a Royal Academy of Music. O quarteto tem sido orientado por músicos em destaque no universo camerístico, como Michael Bochmann (Bochmann Quartet), Elizabeth Turnbull (Archaeus Quartet) e Rivka Golani, além das "master classes" com os quartetos "Wihan", "Vellinger" e "Brodsky". Venceu recentemente o primeiro prémio do "Sir John Barbirolli Competition for String Quartet 2007".


Em repeat


Uma terra que não tem descidas, só subidas

Hoje andei de bicicleta por Manteigas. Com o frio a dar na cara e a invadir pulmões, mais as subidas íngremes e os tremeliques dos paralelos, para não falar nas dores de pernas, estou para aqui que até parece que fiz a mini-maratona EDP.


o amor é um cão do inferno


A Escrita O Duche Amor & Fama & Morte


A visitar e ler

Assim são os Homens é o novo espaço do Paulo Ferreira, cuja escrita os bloggers mais atentos já conhecem do A Causa das Coisas, um blog que também conta com a participação do João Carlos Silva. A escrita do Paulo é corrosiva e irónica, como podem comprovar nos textos que agora nos apresenta. A visitar e ler com atenção.

Está quase

Hoje este blog atingiu as 89 publicações num só mês. Começo a parecer um blogger a sério.


O outro lado da noite


Roberto Juarroz, Juan Ramón Jiménez, Juan Luis Panero.


o amor é um cão do inferno


Estaremos?

«Tento abrir um livro na página certa. Retomar o sentido dos sublinhados. Dobro o pescoço para a esquerda. Depois, para a direita. Como se estivesse a encostar os ouvidos aos ombros. Rodo a cabeça. Descomprimo os nervos. Não encontro a página certa deste livro. Estarei pronto para a página certa?»

Henrique Manuel Bento Fialho, Estórias Domésticas,
Entroncamento: OVNI, 1ª edição, 2006, p. 87.

Lí por aí

«Salazar imaginou um país, no sentido em que criou uma série de imagens que se fixaram no inconsciente colectivo português, reorganizando a consciência de um tempo, tanto presente como futuro. Salazar criou aqueles que agora votaram nele. E, vamos lá ver bem as coisas, já ultrapassámos o complexo de Édipo; no fim de contas, apenas 70000 de nós votaram repetidamente nele.»

Sérgio Lavos, em Auto-Retrato

Kafka
(1998-2007)

um gato deixou o seu sorriso marcado no vidro da janela. a sua sombra permanece esquecida. o seu miar ainda se ouve. no quintal. junto à árvore onde costumava afiar as unhas. era um gato malhado. gostava de andar à chuva. um gato simples. puro. como outro gato qualquer.


Das relações humanas


Se as relações humanas fossem fáceis, não existiria a literatura.




o amor é um cão do inferno

o amor é um cão do inferno é um blog dedicado à poesia de Charles Bukowski. Melhor: é um blog onde podem ser encontradas versões de poemas de Charles Bukowski. A poesia de Charles Bukowski anda afastada das editoras portuguesas. Não quero ser pretensioso ao dizer que o objectivo deste novo blog é preencher essa lacuna, mas é uma tentativa. Não tenho formação na área da tradução, traduzir para mim é um prazer, tal como dizia Paul Ricoeur: «O prazer de traduzir é um ganho quando, associado à perda do absoluto linguístico, aceita a diferença entre a adequação e a equivalência, a equivalência sem adequação. É aí que reside o seu prazer.». Os primeiros poemas foram publicados no versões. Muito em breve serão publicados novos poemas.


Micro #7


- O senhor tem pé de atleta.
- De fundo ou meio-fundo?

Micro #6

Subitamente, lembrou-se que se tinha esquecido de lembrar a mulher para não se esquecer de o lembrar que se tinha esquecido de comprar comprimidos para a memória, de tão esquecido que andava.

Micro #5

É um bairro de homens viris. No café os maços de tabaco que menos vendem são os que podem causar impotência.

Micro #4

Quando chegou o fim de Janeiro, a vizinha queixou-se que a geada islâmica lhe tinha queimado as couves todas.


Auto-Avaliação


Este blog anda chato. Este blog é chato.
Eu ando chato. Eu sou chato.


Eu vou! E tu?




No próximo dia 23 de Março pelas 18h será o lançamento do livro de Henrique Manuel Bento Fialho - ESTÓRIAS DOMÉSTICAS - , no Bar Alinhavar, em Leiria.

Não podia estar mais de acordo contigo, Holden Caulfield

«Não há nenhum night club no mundo onde se possa ficar muito tempo se não podemos pedir um wisky e apanhar um pifo. Ou se não estivermos com alguma miúda que realmente nos encha as medidas.»

J.D. Salinger, À Espera no Centeio, Lisboa: Difel, 1º edição, 2005, p. 87.



4 ano$ de morte$
4 ano$ de mentira$

Para todos aqueles que de uma ou outra maneira são olhados de lado

Feliz dia do não-pai!


Essa coisa chamada amor


- Amo-te! Que queres mais?
- Que me ames.

O mal

- Parece que tem um blog.
- Coitado! E isso tem cura?

Lí por aí

«Ao belo perdoa-se tudo e ao feio não nos escapa nada. A fealdade parece ser o tormento das pessoas inteligentes.»

Fernando Esteves Pinto, em Escrita Ibérica


Algo que não pensaria ler na Actual...

... uma crítica positiva a um livro de poesia de Jorge Reis-Sá.

Um estranho dom

Sempre tinha percebido pouco de bicicletas. Mas havia aqueles que dominavam as fórmulas, os segredos, a ciência. Admirava quem só com o olhar logo diagnosticava uma direcção torcida, um raio fora do sítio, um travão desafinado, um pneu mais cheio que o outro. Tratava-se, para ele, de um estranho dom que só alguns possuíam, e que só mais tarde percebeu não estar relacionado com nenhuma ciência esotérica.

publicado na Revista Minguante nº 1


Palavras de que gosto #4


- Sabes...
- O quê?
- Não há pachorra!

vidasdevidas

Luís Ene, depois de terminar com o seu Blog de Apontamentos, regressa com vidasdevidas.


A tarde de Sábado perfeita


Estar há três horas a corrigir testes e faltarem ainda duas turmas.


O outro lado da noite


quando os poemas se aproximam dos mil tu
dás-te conta que criaste muito
pouco.


Causa/Efeito


Leio blogs. Deixei de comprar o JL.

Eu, Narciso


Quando em 2002 Américo Rodrigues (na altura Presidente da direcção do Aquilo Teatro) me convidou para publicar, a minha resposta foi imediatamente sim. Na altura tinha a necessidade de ver os meus poemas em forma de livro, era uma espécie de sonho que se tornava realidade. Antes só os tinha dito em público, numa iniciativa da Câmara Municipal da Guarda chamada «Lugar aos Novos», e vi cinco desses poemas publicados na Revista Cultural Praça Velha, editada pela Câmara Municipal da Guarda. Depois, foi o convite para escrever um poema para acompanhar uma instalação da exposição «A Memória das Coisas». Finalmente o convite para o livro. E ele lá foi publicado em Março de 2002. Na apresentação do livro foram ditas palavras bonitas sobre ele, foram lidos poemas em voz alta e até houve uma bailarina a dançá-los enquanto eram ditos. A noite acabou num bar da cidade da Guarda com os amigos mais próximos. Passados 5 anos o livro ali está na prateleira. É um livro escrito por alguém com menos cinco anos do que aqueles que tem hoje. Talvez isso se note. Talvez não. É um livro desequilibrado, onde existe um ou dois poemas dignos de terem esse nome, e um ou outro verso mais conseguido. As influências são notórias: Eugénio de Andrade e António Ramos Rosa (mais o primeiro que o segundo). Américo Rodrigues, no seu “discurso”, pediu para eu nunca renegar este meu primeiro livro, como outros poetas tinham feito com os seus primeiros livros. Eu ri-me. E disse que só os grandes poetas é que faziam isso.


Recordar é viver: Março de 2002


Nascem rios
Do silêncios de fontes
O aroma a giestas
Permanece novo
Sobre o corpo
Também sobre os lábios
Um resto de água
O sabor do sal
Da terra.


em Entre o Silêncio e o Fogo, Guarda: Aquilo Teatro, 1ª edição, 2002, p. 13.


Das limitações humanas


«Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de modos diferentes; o que importa, porém, é transformá-lo


Karl Marx, «Teses sobre Feuerbach» em Textos Filosóficos,
Lisboa: Editorial Presença, 4ª edição, 1974, p. 11.


A vidinha


a vidinha a vidinha a vidinha a vidinha a vidinha a vidinha


Palavras de que gosto #3


A função de todo o poeta é prevaricar.


A primeira vez

A primeira vez é sempre a melhor, até que vem a segunda e a terceira e todas as outras a que temos direito. A minha foi assim: molhei os pés, apanhei sol, fiquei vermelhinho. Depois almocei polvo com batatas a murro e grelos salteados com alho. Acompanhei com um bom vinho tinto da casa. No final: um café. E estou aqui como um lord.

Ó homem de Deus!

Há um dia em que é necessário seguir pela Auto-Estrada, pois já estamos atrasados. Quando chegamos à zona da portagem para retirar o ticket (que isso da Via Verde é para capitalistas), vemos alguém empoleirado na janela do carro a tentar retirar o ticket da ranhura destinada aos motoristas de camiões e outros veículos pesados. Pensamos: «ó homem de Deus!». Chega a nossa vez. Encostamos o mais possível o carro, pois não queremos esticar muito o braço. Isto quando: «use the upper button» (sim, em inglês! qual é a admiração!?). Como há pouco espaço para abrir a porta do carro, não temos outra alternativa: abrimos a janela do carro e empoleirados nela retiramos o ticket na ranhura destinada aos motoristas de camiões e outros veículos pesados. E ainda conseguimos ouvir o condutor atrás de nós pensar: «ó homem de Deus!».

Hipocondríaco, eu?


Os meus amigos dizem que sou hipocondríaco. Mas que culpa tenho eu de ser asmático, sofrer de sinusite, ter uma esofagite, pedra nos rins, pé chato, pé de atleta (controlado!), princípio de hérnia discal, vesícula preguiçosa, miopia, astigmatismo e défice de audição no ouvido esquerdo!?


Palavras de que gosto #2


Ele vive num apartamento exíguo.


Ainda Bukowski

O meu amigo António Godinho, do Boca de Incêndio, informa-me que afinal já existe uma tradução da poesia de Charles Bukowski em português. Trata-se de uma edição brasileira de 2003: Os 25 melhores poemas de Charles Bukowski, trad. Jorge Wanderley, Rio de Janeiro, Ed. Bertrand Brasil, 2003.


Discos Pedidos #4



Os TV on the Radio são uma banda nova-iorquina fundada em 2001, considerada por David Bowie como a sua banda preferida do momento. Depois do êxito do seu primeiro álbum (Desperate Youth, Blood Thirsty Babes), os TV on the Radio editaram em 2006 Returne to Coockie Mountain, considerado por muitos como o melhor álbum desse ano. Os TV on the Radio praticam uma fusão de soul, gospel, funk, rock, pop, música electrónica e jazz, que lhes deu o estatuto de banda de culto entre os apreciadores mais ecléticos. No meio dessa ousadia, e no experimentalismo musical, encontramos letras soturnas, apocalípticas, que fazem lembrar o fim do mundo. Vasco Durão, na Mondo Bizarre #26, classifica os Tv on the Radio da seguinte maneira: «Uma música futurista e nostálgica ao mesmo tempo (como toda a música inovadora deve ser), onde ondas sonoras massivas, constantes e inebriantes, são sobrepostas pelas melhores vocalizações que nos foram dadas a ouvir nos últimos anos.». E são as vocalizações que mais me agrada na música dos TV on the Radio, onde as vozes de Tunde Adebimpe e Kyp Malone se fundem numa combinação perfeita , como por exemplo na primeira faixa: I was a lover. Mas não se pense que os TV on the Radio é só ecletismo. Em músicas como Hours e Wolf like me o grupo demonstra que também é capaz de fazer música com uma sonoridade mais pop e ao alcance de todos. No entanto, é nesse magnífico tema Blues from down here que os TV on the Radio estabelecem o seu território, onde a voz de Kyp Malone parece convocar todos os demónios existentes dentro de cada um de nós, possibilitando dessa maneira a purificação das nossas atormentadas almas. Numa altura em que parece existir um vazio na sonoridade de tudo aquilo que mais se ouve nas rádios, sendo cada vez mais visível o copy-paste, os TV on the Radio surgem como uma banda inovadora, capaz de marcar a diferença, capaz de surpreender. Como diz Vasco Durão: «há muito que não se ouvia (nem via) nada tão inovador». E é bem verdade.

Charles Bukowski #3

O primeiro contacto que tive com Charles Bukowski foi com a leitura do livro A Sul de Nenhum Norte. Fascinou-me o título e também sabia que era um escritor de referência para Tom Waits. Está tudo dito. Depois, comprei Mulheres e foi o golpe de misericórdia. De seguida procurei mais algumas coisas sobre ele. Encontrei alguns poemas na net, que li com avidez. Para mim Bukowski é o escritor. Aquele que, com o seu desprendimento pelo acto de escrever e pela escrita, levou mais a sério o acto de escrever e a escrita.


Charles Bukowski #2


Eu vejo-te beber numa fonte com minúsculas
mãos azuis, não, as tuas mãos não são minúsculas
são pequenas, e a fonte é em França


Charles Bukowski

Não sou um rapaz muito atento em relação às novidades editoriais. Quando chego a um livro já ele foi publicado há algum tempo. Mas é impressão minha ou ainda não há, em português, uma tradução dos poemas de Charles Bukowski!


Lí por aí


«De facto, ninguém, creio eu, pode dizer que Bukowski é um escritor genial. Mas também ninguém pode afirmar o contrário.»

Rui Manuel Amaral, em Dias Felizes

E agora uma piada sexista

Não há nada como ver uma rapariga correr com uma t-shirt que diz todo terreno.


A História enquanto Romance e o Romance enquanto História

Em 1969 Os Exércitos da Noite recebeu os dois mais importantes prémios literários dos Estados Unidos da América: o Pulitzer e o Natinal Book Award. E Norman Mailer foi considerado pela crítica como o melhor escritor do seu país na época, lugar que há muito siputava com outros nomes das letras norte-americanas: Gore Vidal, Tom Wolfe, Philip Roth, só para nomear alguns. Escritor polémico, acusado algumas vezes de pornográfico devido à crueza e à linguagem explícita utilizada em alguns dos seus romances, Norman Mailer consegue em Os Exércitos da Noite fazer a simbiose perfeita entre romance e história. O próprio livro é dividido em duas partes: A História como Romance e O Romance como História. Podendo ser inserido no chamado non-fiction novel (termo criado por Truman Capote quando publicou A Sangue Frio), Os Exércitos da Noite relata os acontecimentos anteriores e posteriores à Grande Marcha de protesto contra a Guerra do Vietnam, realizada em 1967, e que envolveu várias organizações e movimentos que contestavam a presença norte-americana no Vietnam. Tais acontecimentos são “relatados” de uma maneira directa e tendo em conta a visão subjectiva do autor/narrador. Norman Mailer disso nos dá conta, quando caracteriza o seu romance: «(…) o primeiro livro é uma história disfarçada, ou vestida ou apresentada como romance, e que a segunda é um romance real, verdadeiro – nem mais nem menos! - , apresentado em estilo de história» (p. 293). No entanto, a primeira parte não é mais do que uma história pessoal (não podemos esquecer que o próprio livro é iniciado com um excerto de um artigo da revista Time de 27 de Outubro de 1967), onde são mencionados certos acontecimentos que sucederam antes, durante e depois da Grande Marcha, onde são incluídos diálogos, excertos de discursos e onde as “personagens” são figuras públicas norte-americanas, como é o caso do poeta Robert Lowell. Já a segunda parte baseia-se em todos os relatos dos jornais, das testemunhas e das induções históricas feitas pelo autor. Contudo, Norman Mailer não pretende com este livro fornecer aos historiadores material que possam analisar para melhor entenderem um determinado momento da História norte-americana (embora o possam fazer, desde que conscientes dos riscos). Norman Mailer, aponta, essencialmente, erros à organização da Grande Marcha, crítica a falta de união entre os vários movimentos, e demonstra o seu desagrado por tudo aquilo que se passa nos Estados Unidos e com os Estados Unidos: «Mailer há anos que se referia às doenças da América, ao seu totalitarismo cada vez mais presente, à sua opressão, ao seu nevoeiro doentio.» (p. 222). Os Exércitos da Noite é, sem dúvida, um grande livro, tanto pela maneira como entrelaça de uma forma lúcida e limpa o jornalismo, a história e a ficção, mas também pela sua actualidade: «Meditai nesse país que expressa o nosso querer. É a América, dantes uma beleza em magnificência sem paralelo, uma beleza agora com pele leprosa. (…) Salvem-nos da nossa maldição. Pois temos de acabar naquela estrada onde a coragem, a morte e o sonho do amor prometem deixar-nos dormir».

Norman Mailer, Os Exércitos da Noite, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2ª edição, 1997, 328 pp. (título original: The Armies of the Night – History as a novel, The Novel as History)

Nota: a imagem da capa do livro é da edição norte-americana da Penguin Books, edição de 1994.

Assino por baixo

Confiando na veracidade das palavras de Eduardo Pitta, não posso deixar de subscrever tudo aquilo que Eugénio Lisboa diz nesta carta.


Its just the wasted years so close behind


Definitivamente, não gosto de Domingo. Antes não gostava da Quinta-Feira. Mas agora é o Domingo. É um dia pasmado, em que passamos o tempo a lamentar o facto de amanhã já ser dia de levantar cedo e ir trabalhar. É uma espécie de limbo dos dias da semana: ainda não é semana de trabalho, mas também já não é totalmente fim-de-semana. É o dia dos grandes almoços em família, onde se discute o que vai bem e mal no país, se elogia a comida que nos é servida e se abusa um pouco mais do vinho. É o dia dos prognósticos para o jogo dessa noite e se comenta o jogo do dia anterior. O Domingo é um dia fastidioso. Devia ser banido dos dias da semana. O Domingo é o dia mais inútil que conheço.


Next blog


Às vezes percorro blogs, com a ajuda da setinha lá em cima que diz next blog, e descubro verdadeiras pérolas filosóficas: «O amor não é a distante melodia de um violino. É o triunfante chiar das molas de um colchão».


Palavras de que gosto


Aquela rapariga é derrancada para a brincadeira!



Ainda não foi desta

Hoje de manhã, enquanto tomava um café (tenho que deixar definitivamente de o fazer) observei que alguém lia a página da necrologia. No final, levantou os olhos e, como quem pensa «ainda não foi desta», suspirou.

Da dificuldade em manter certas conversas

Na minha rua sou o único que lê blogs e que possui um blog. Isso torna muitas vezes difícil as conversas sobre o estado da nação.

Facto

É um facto: os blogs durante o fim-de-semana estão de fim-de-semana. Há um ou outro resistente, mas a maioria fecha as portas.


Ideia recorrente


Inscrever-me antecipadamente numa casa de repouso.


O blogger

Era um blogger tão dedicado que quando mais ninguém comentava os seus posts, comentava-os ele.


Da reforma


Por vezes vêm à escola professores que se reformaram. Aparecem como fantasmas procurando um pouco da vida que tiveram. Percorrem os corredores, revivem memórias, sorriem aos comentários dos colegas: «agora é que andas com bom aspecto!»; «até estás mais novo!»; «vai aparecendo!»; «agora é que é gozar, hem!». Depois partem, de olhos tristes e pousados no chão.


Já está no ar




aqui


Pequenos prazeres


Entrar numa gelataria, espalhar charme com um livro de Norman Mailer na mão e pedir um gelado de 5.20 euros.

Discos Pedidos #3

Heather Duby tem uma voz pela qual nos apaixonamos rapidamente. Classificá-la não é fácil, embora angelical seja o adjectivo que, apesar de ser um lugar comum, mais se adapta. De facto a voz de Heather Duby é angelical, e é neste ponto que encontramos a primeira característica do álbum Post to Wire: a voz angelical contrasta com o lado negro da música, com os temas das canções (morte, amor, desespero, perda). A primeira coisa que vem à cabeça do ouvinte é: estamos na presença de mais um disco da 4AD. No entanto, Post to Wire foi editado pela Sub Pop. Sim, a mesma que editou o álbum de estreia dos Nirvana e muitos dos grupos que iniciaram e formaram aquilo a que se veio designar por movimento grunge. Mas Heather Duby é tudo menos grunge (Seatle, cidade onde Heather Duby vive, não “fabricou” só grupos grunge, exemplo disso são os Walkabouts). Post to Wire aventura-se por vários territórios, sendo quase uma miscelânea de vários estilos: a pop, o electrónico, a música de dança, as guitarras: estão presentes e combinam-se numa equilibrada fusão de sons e melodias, sem correr o risco de cair em exageros técnicos, pois toda a música de Heather Duby é simples e directa. E depois existem melodias fantásticas, como na faixa September, que nos envolvem, elevam e trazem de volta.

Ainda Alface

Soube que Alface teve uma morte pública. Estava numa "mesa redonda" dedicada à sua obra e morreu vítima de um AVC. Pensei: que ironia do caraças! um gajo passa uma vida inteira à margem do que é supostamente literário e morre numa mesa redonda dedicada à sua obra!


Esforço #2


Ouvir o alarme despertador e levantar-me da cama.




Estreia Nacional



Um oficial a quem durante anos esteve confiado o pelouro da Justiça, e que mantém uma estranha relação de admiração pelo instrumento que utiliza nas torturas dos condenados, vê-se ele próprio condenado à pena capital. No momento de se submeter ao suplício da tortura, escolhe para o seu corpo a brevíssima inscrição “Sê Justo!”. A fragilidade do sistema e a procura da justiça são abordados neste espectáculo baseado no conto homónimo de Franz Kafka. Na Colónia Penal é uma reflexão sobre a Justiça, mas também uma previsão dos horrores que o século XX veria, a ideia de um mal inevitável. Na Colónia Penal estreia em Portugal na próxima Sexta-Feira, dia 9, no Teatro Municipal da Guarda. Na Colónia Penal é o terceiro trabalho do Projéc~ [a estrutura profissional de produção teatral do TMG] e ficará em cena nos dias 9 e 10 de Março.

texto Franz Kafka
música Philip Glass
libretto Rudolph Wurlitzer
direcção musical Domenico Ricci
encenação Américo Rodrigues
cenografia e figurinos Cristina Cutrale
barítono José Curvelo
tenor Sérgio Martins
Quarteto de S. Roque
contrabaixo Ricardo Tapadinhas

Tiago Rodrigues

Conheci o Tiago Rodrigues na Escola Secundária Afonso de Albuquerque na Guarda. Lembro-me dos bons traçadinhos bebidos na antiga tasca «do Chicha». Agora o Tiago dedica-se à fotografia, e pode ser encontrado aqui.


O menino menos zeloso...


é o nome deste post fantástico de João Paulo Sousa no Da Literatura. Quem é professor irá, de certeza, considerá-lo pertinente.


Pois


No dia seguinte à morte de Alface fui até à Fnac ver o que lá havia do autor. Dirigi-me a um balcão de atendimento e perguntei: «Alface?». O rapaz olhou para mim e disse que era curioso vir perguntar-lhe isso, pois tinha acabado de falar da morte do autor com a sua colega e só tinham um livro disponível: «A mais nova profissão do mundo». Mais acrescentou que muito em breve teriam mais livros do autor: «é que aconteceu o mesmo com a Fiama. É sempre assim.». Ao que eu só consegui responder: «Pois».

Das expectativas


A partir de certa idade, certas pessoas começam a esperar certas coisas de nós. Eu, para certas pessoas, já ultrapassei essa certa idade, a partir da qual elas esperavam certas coisas de mim.

Os homens são de Urano e as mulheres de Mercúrio


Nunca li o livro, mas nunca fui na conversa que os homens são de Marte e as mulheres de Vénus. Sempre vi mais os homens como pertencendo a Urano (já que Plutão foi desclassificado) e as mulheres a Mercúrio. Nunca a Marte e a Vénus. É que estão demasiado próximos.

A propósito disto


De nada servem paninhos quentes, mornos ou à beira de serem aquecidos. As palavras querem-se cruas, em sangue.

Argonauta

Durante muito tempo não ouvi rádio. Tudo mudou a partir do momento em que comecei a trabalhar. As viagens de automóvel, que os ossos do ofício me obrigam a fazer, despertaram o meu interesse e o meu gosto pela rádio. Dos vários programas semanais que ouço Argonauta é um dos meus programas favoritos, e aquele ao qual sou mais fiel. Passa todos os Domingos entre as 22h e as 23h, na Antena 2.


Coisas que passam pela cabeça


Hoje cheguei a pensar que a vida tem, de facto, algum sentido.


Caixa de Música


Foi adicionada uma Caixa de Música para animar este lugar. Ou talvez não.

Às vezes

Às vezes interrogo-me (só às vezes) sobre as pessoas que estão desse lado a ler aquilo que eu escrevo, principalmente quando ali em baixo diz 2, 3, 4, 5 a percorrer a noite. Quem serão essas pessoas que estarão a ler este pobre escriba (o que vale é que sou modesto, será a modestia que aqui Vos traz? a minha, claro! não a Vossa)? Falai-me de Vós. Dizei-me aquilo que Vos move, comove, demove.

Lí por aí

«O pior que podemos fazer, nas tentativas de traçar abordagens compreensivas dos personagens que marcam a história, é desumanizá-los, transformá-los em símbolos, confundi-los com deuses ou com heróis. Pois apenas estes são perfeitos. Nas nossas cabeças, claro.»

Rui Bebiano, em Passado/Presente


Alface (1949-2007)






Alface, pseudónimo de João Alfacinha da Silva. Romancista, escreveu para rádio, publicidade, teatro e televisão. Com Manuel da Silva Ramos, Alface é autor da trilogia Tuga (1977-1996), uma hilariante e torrencial anti-epopeia lusitana, joyciana na invenção narrativa e verbal. Fazem parte da trilogia os romances Os Lusíadas (1977), As Noites Brancas do Papa Negro (1982) e Beijinhos (1996). A sua obra inclui ainda os livros de contos Cuidado com os Rapazes e Outras Histórias (1995), O Fim das Bichas (1999) e o ciclo familiar Um Pai Porreiro Ganha Muito Dinheiro (1997), Uma Mãe Porreira é prà Vida Inteira (1998), Filhos Assim Dão Cabo de Mim (1999), Avó Não Pise o Cocó (2000) e A Prima Fica por Cima (2001), reunidos no volume Uma Família sem Mestre (2002). A força paródica da escrita continua a transbordar no seu último romance, Cá Vai Lisboa, publicado em 2004.

Nota: este texto no Aspirina B.

E eis que todas as dúvidas se dissipam


«Fomos postos na Terra para andarmos por aí aos peidos. Não deixem que ninguém vos diga o contrário.»

Kurt Vonnegut, Um Homem Sem Pátria, Lisboa: Tinta da China, 1ª edição 2006, p. 68.


Esforço


Um gajo esforça-se. A sério que se esforça.


Março


Ora aí está um mês do qual não gosto particularmente.