Contra factos
Bruce Chatwin
Poesia e Poetas
Lí por aí
Discos Pedidos #2
Há quem os considere uma fraude, devido ao som que praticam nada ter de novo, de o considerarem uma cópia rasca de tudo o que de bom foi feito nos anos oitenta na área do chamado gótico. As influências estão de facto lá: nos sintetizadores (Suicide), na caixa de ritmos (Sisters of Mercy), as linhas de baixo (Joy Division, The Cure). Depois há as letras, que muitos consideram de uma pobreza franciscana, quase papel químico de poemas retirados de um qualquer diário de um qualquer rapaz nos seus 14/15 anos, atingindo pela primeira vez pelas setas de Cupido. Sem dúvida a música dos She Wants Revenge é tudo isto, mas é também tudo isto que lhe confere consistência. As músicas são boas, com melodias interessantes e um ritmo, em alguns temas, frenético, onde a vontade de dançar e pular e suar são reais. As letras, apesar de pobres (algumas têm um ou outro refrão escusado), revelam um mundo sombrio e pouco aconselhável a mentes e corações mais susceptíveis: I heard it's cold out, but her popsicle melts/She's in the bathroom, she pleasures herself/Says I'm a bad man, she's locking me out/It's cause of these things, it's cause of these things. Mas é o tema Out of Control (que passou durante bastante tempo na Radar) que mais desperta a vontade de dançar, e que nos transporta para um pista de dança onde tudo é permitido, onde os corpos se entregam ao ritmo: The lights that move sideways and up and down/The beat takes you over and spins you round/Our hearts steady-beating, the sweat turns to cold/We're slaves to the DJ and out of control. Neste álbum de estreia os She Wants Revenge mostram aquilo que de melhor sabem fazer e tudo aquilo que de pior sabem fazer. Mas isso pouco importa, pois a partir do momento em que a música começa a ser ouvida, somos logo transportados para um qualquer bar underground de NY ou LA, ou, não havendo melhor por cá, para a velhinha Jukebox em meados/finais de 90, lá para os lados dos Restauradores em Lisboa.
1.
Aos quatro anos há palavras que não têm significado. «Traição» é uma delas. Até ao dia em que vês alguém esconder o fato de Pai Natal debaixo da cama.
2.
Numa noite que não dizes estrelada, pois tens os olhos fechados, beijas pela primeira vez. Crês que dela também é o primeiro. E o único desse verão. Só mais tarde, passados os anos da ingenuidade, descobres que, afinal, não era o primeiro nem o único que ela recebia atrás daquela capela.
3.
Este és tu aos quinze anos: camisa de flanela, t-shirt, calções, meias grossas, botas, pêra: o grunge. Os Nirvana cantam a revolta. É com eles que começas a ouvir música. Defendes a anarquia e mais umas ideias que surgem com as primeiras cervejas. Até que num mês, de um ano que esqueceste, Kurt Cobain rebentou com os miolos: dizem-te. Nesse dia ouves o Nervermind até à exaustão. Depois: arrancas os posters, guardas as cassetes. E ainda hoje te perguntas: por que razão Cobain nos traiu?
4.
Mas cedo te vês rodeado de novos traidores. Andas no 12º ano. E estudas filosofia.
Novo disco dos Chuchurumel

Os Chuchurumel são um grupo de música popular portuguesa (mas que também gostam de pesquisar todos e quaisquer tipos de sons e de usar computadores e outras caixinhas mágicas) oriundos do distrito da Guarda. Têm em César Prata e Julieta Silva os seus elementos. Em finais de Março sairá Posta-Restante, o segundo disco. Cada tema será endereçado a alguém, como se de uma carta se tratasse (daí o nome do disco). São cartas musicais dirigidas a pessoas que, ao longo do trabalho dos Chuchurumel, de uma forma ou outra, os tem marcado: desde informantes anónimos até Giacometti ou Lopes-Graça. O disco tem um videoclip realizado por Tiago Pereira (vencedor do DocLisboa 2006 com o documentário "11 burros caem no estômago vazio") e será acompanhado por um texto do musicólogo Domingos Morais. O video pode ser visto aqui.
Aceitam-se apostas
Quantos versos fazem uma vida?
Lí por aí
Ao teu ouvido
Como não escrevo canções, só me resta cantá-las (baixinho) ao teu ouvido.
Ainda há esperança... ou talvez não
«Pensem que uma metade do acto de escrever consiste em se ser suficientemente sensível perante o momento para se alcançar a promessa seguinte, que geralmente se esconde em qualquer palavra ou frase, só um bocadito ao lado da nossa intenção cônscia.»
Nada mais
A mais preciosa
Para quem como eu ouviu Joy Division até à exaustão sem nunca se ter cansado de o fazer, ouvir o álbum de estreia dos Editors é regressar de novo àquela garagem onde pela primeira vez ouvimos músicas como Shadowplay. No entanto, The Back Room, editado em 2005, não é uma cópia do som que a Joy Division criou, será mais um upgrade: as guitarras estão lá, a linha de baixo é sem dúvida influenciada por Peter Hook, e a bateria é herdeira das batidas de Stephen Morris, mas a energia é sem dúvida outra, mais actual, e até mesmo mais urbana, onde a própria produção do álbum, embora não deixe escapar a influência do génio de Martin Hannet no álbum Unknown Pleasures da Joy Division, projecta os Editors para um outro nível. As letras trazem todos os dilemas existenciais que Ian Curtis projectou nas suas, e quem teve o privilégio de ver os Editors ao vivo no Super Bock Super Rock do ano passado, reparou nos movimentos frenéticos do vocalista Tom Smith, que lembram muito as actuações de Ian Curtis. Mas são sem dúvida as músicas que fazem dos Editors um grupo a acompanhar: Munich, Blood (que traz consigo a matriz de Atrocity Exibition), Bullets, tornaram-se sucessos imediatos, abrindo o caminho para as restantes músicas do álbum, de onde se destacam, para além destas, a fantástica Fingers in the Factory, Someone Says e Open your Arms. Os Editors passaram um pouco ao lado da crítica, em parte devido a outras duas bandas: Arcade Fire e Interpol: que monopolizaram toda a literatura especializada durante algum tempo. Mas as músicas dos Editors continuam aí a provar que merecem ser ouvidas, de preferência bem alto e com as luzes bem baixas.
Putas e chuva
Lá estão elas, à beira da estrada. Até em dias de chuva é necessário acalmar o desejo.
Seis pessoas sentadas. Os seus corpos têm a palavra. O seu “devir junto” anuncia-se através de uma linguagem instável, um inglês com sonoridades singulares. As suas capacidades de comunicar são constantemente desafiadas. Eles navegam entre transparência e opacidade; exercitam-se por entre a tecelagem dos laços, suspensos por um fio. Como exercer uma postura teatral até ao esgotamento? Escolher um meio que nos é comum, mas que não dominamos. Olhar de frente as pessoas e convidá-las a seguir-nos quando partimos. O “aqui e agora” que procuramos está tão alongado que já não há pertença. Está arrasado. Recomeçamos sempre, sem nunca chegar ao mesmo lugar. “Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza” é a mais nova criação que a coreógrafa portuguesa Vera Mantero traz ao palco do Grande Auditório, hoje Sexta-feira dia 16 de Fevereiro, às 21.30 horas. Em Junho de 2006, Vera Mantero iniciou o processo de criação da sua nova peça que estreou em Novembro de 2006 no Le Quartz/Brest em França. Neste novo projecto, interpretado e co-criado por seis intérpretes, a coreógrafa conta com a já habitual colaboração artística de Nadia Lauro (concepção do espaço e figurinos) e do músico Boris Hauf. O processo de criação decorreu em Portugal, Montemor-o-Novo, n'O Espaço do Tempo, entre os meses de Junho e Setembro, e em Le Quartz, em Brest, durante o mês de Outubro. Depois de Brest, seguiram-se ainda no mês de Novembro as apresentações em Paris no Centro Pompidou, integradas no Festival d'Automne, e em Lisboa, na Culturgest. É no TMG a segunda apresentação em Portugal deste novo trabalho. Em “Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza” «as acções servem para entender, para reparar, para nomear, a língua virada do avesso, vibração (maravilhar-se), aparente esquecimento de que Deus, na verdade, nunca existiu, potência impotente, habitar um corpo aberto, (faz-nos sonhar), intimidade, liberdade, energia, não à disjunção. Nietzsche amava em Goethe a totalidade, dificuldades de toda a espécie devem ser bem acolhidas, razão+sensualidade+sentimento+vontade, minúcia e milagre. Desregulamento antropológico, encarnar os laços, potente impotência» – descreve a coreógrafa no texto de apresentação. Para Vera Mantero, a dança não é um dado adquirido, acredita que quanto menos o adquirir mais próxima estará dela, usa a dança e o trabalho performativo para perceber aquilo que necessita de perceber, vê cada vez menos sentido num performer especializado (um bailarino ou um actor ou um cantor ou um músico) e cada vez mais sentido num performer especializadamente total, vê a vida como um fenómeno terrivelmente rico e complicado e o trabalho como uma luta contínua contra o empobrecimento do espírito, o seu e o dos outros, luta que considera essencial neste ponto da história. A direcção artística do espectáculo é de Vera Mantero, a interpretação e co-criação é de Antonija Livingstone, Brynjar Bandlien, Loup Abramovici, Marcela Levi, Pascal Quéneau e Vera Mantero.
Texto: TMG
Foto: Alain Monot
Benefícios da ressaca
Não há nada como uma boa ressaca para nos consciencializar da nossa finitude.
Pergunta
Quem te disse que amar seria fácil?
Reminiscências
O que acontecerá realmente se entalar os dedos na porta?
S. Valentim
Mais um santo pensado para abrir os cordões à bolsa.
Estado Financeiro
Só me sobra mês.
Sim Vence em Manteigas
Concelho de Manteigas
SIM: 695 ( 52,33%)
NÃO: 633 ( 47,67%)
Brancos: 25 ( 1,82%)
Nulos: 19 ( 1,38%)
Freguesia de São Pedro
SIM: 292 ( 56,48%)
NÃO: 225 ( 43,52%)
Brancos: 8 ( 1,51%)
Nulos: 6 ( 1,13%)
Abstenção:65,16%
Freguesia de Santa Maria
SIM: 312 ( 57,04%)
NÃO: 235 ( 42,96%)
Brancos: 14 ( 2,48%)
Nulos: 4 ( 0,71%)
Abstenção:63,55%
Freguesia de Sameiro
SIM: 60 ( 35,09%)
NÃO: 111 ( 64,91%)
Brancos: 3 ( 1,69%)
Nulos: 4 ( 2,25%)
Abstenção:58,70%
Freguesia de Vale de Amoreira
SIM: 31 ( 33,33%)
NÃO: 62 ( 66,67%)
Brancos: 0 ( 0,00%)
Nulos: 5 ( 5,10%)
Abstenção:73,44%
Um dia têm que inventar...
... referendos que independentemente da abstenção tenham poder vinculativo.
À Vossa consideração
Pela Liberdade
Afinidades
Munch está para a pintura como Dostoievski está para a literatura.
A minha Banda Sonora
«Ah wanna tell ya 'bout a girl»: é esta a minha banda sonora.
Se
Se Deus existe ele está no Ich Habe Genug, BWV 82 de Bach.
E o dia começa assim
Queria escrever algo que não isto, mas o frio não me deixa.

Cão
Lí por aí
Comigo é assim
É no limite que toda a palavra é escrita.
O estado a que isto chegou
Diclofenac sódico, Nimesulida, Tiocolquicosido, Saccharomyces boulardii.
Um gajo está sempre a aprender
«A cona serve-se com um fio de azeite e uma gota de vinagre.»
Li por aí
