«O orgulho perde-se antes da queda.»


Nick Carter, As Terríveis, 1ª edição, Venda Nova, Editorial Ibis, 1968, pág. 5.


Para ler e ver


A Boca de Incêndio (edição do Aquilo Teatro) existe desde Maio de 2004, quando saiu o seu primeiro número dirigido por Américo Rodrigues e António Godinho, aos quais se juntou a artista plástica Maria Lino a partir do segundo, tendo sido lançados esta semana, dia 27, os números 4 e 5 (a particularidade de ser um número duplo prende-se, segundo o editorial, com o facto de devido a razões várias, nomeadamente financeiras e logísticas, não poder ser assegurada a anunciada periodicidade semestral). O design e a paginação mantiveram-se sempre da autoria de Alexandre Gamelas, que prima pela simplicidade. Muitos são os colaboradores que passaram pelos vários números: António Bento, Bartolomé Ferrando, Carlos Alberto Machado, E. M. de Melo e Castro, Fernando Aguiar, João Camilo, José Manuel Pinto, José Oliveira, Julien Blaine, Klaus Becke, Rui Sousa, Sérgio Monteiro de Almeida, entre outros. De realçar, ainda, o facto dos membros da direcção da revista só terem participado em três dos cinco números, e sempre alternadamente: Maria Lino (número 1, quando ainda não fazia parte da direcção), Américo Rodrigues (número 2) e António Godinho (neste último); bem como o facto de em nenhum dos vários números se procurar impor uma estética ou cânone literário, como refere logo o primeiro editorial: «esta revista não será um terreno para a doutrina e a unilateralidade, mas um espaço de liberdade, de qualidade, de diálogo e de optimismo.». De facto, é pela liberdade e pela qualidade que a revista mais se destaca, tanto a nível literário como das artes plásticas. Nestes dois últimos números tudo isso se confirma, em especial a componente visual, que é desta vez bastante vincada, donde destaco três trabalhos: os desenhos de Bárbara Assis Pacheco, os quadros de Claire Moreau e o trabalho fotográfico de Tiago Rodrigues. No que diz respeito ao literário, destaque para «Meios e Fins» de António Bento, «Crimes Exemplares» de António Godinho, «Jonas Mekas e Paul Morrissey: três filmes» de Edmundo Cordeiro, e «Arquivo e violência» de José Manuel Gomes Pinto, onde se pode ler: «O arquivo é então instituição de poder e à sua constituição inere a violência. O arquivo põe em jogo uma força que exila tudo o que dentro dele não cabe. Ele próprio é o poder. Ele é o princípio e o fim.». Mas o melhor mesmo é ler e ver a Boca de Incêndio.

Adenda:
- A revista Boca de Incêndio pode ser adquirida nas livrarias nacionais ou através das seguintes caixas de correio: aquilo.teatro@sapo.pt ou bocadeincendio@gmail.com
- Podem ler aqui um texto realizado a partir dos textos publicados na Boca de Incêndio da autoria de Pedro Dias de Almeida e lido pelo próprio na apresentação da revista.


A leitura em dia


Depois de ler esta lista tomei consciência que andei muito a leste daquilo que se publicou em Portugal durante o ano de 2006. É que não li um único livro daqueles a que o André faz referência. Penso até que só li três ou quatro livros publicados em 2006: Gastar Palavras, de Paulo Kellerman, O remorso de Baltazar Serapião, de valter hugo mãe, Os Animais Antigos, de João Habitualmente, e Um Homem sem Pátria, de Kurt Vonnegut (que eu aconselho a todos os que lerem este post). De resto, andei a ler “clássicos”, como por exemplo: Mulheres, de Charles Bukowsky, A Serpente, de Stig Dagerman (livro que me deixou completamente apaixonado por este autor), O Deus das Moscas, de William Golding, Plataforma, de Michel Houellebecq, Fábulas Fantásticas, Ambrose Bierce (delirante!), Signo Sinal, de Vergílio Ferreira (sobre o qual irei escrever aqui brevemente), La Família de Pascual Duarte, de Camilo José Cela, Morte a Crédito, de Céline, Opus Pistorum, de Henry Miller (autor da minha adolescência mas que continua a fascinar-me), entre muitos outros. Conclusão: andei a colocar a leitura em dia.

Este ano vi e gostei


Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos, Jonathan Dayton e Valerie Faris
Uma História de Violência, David Cronenberg
Máquina Zero, Sam Mendes
Entre Inimigos, Martin Scorsese
Breakfast On Pluto, Neil Jordan
Há Dias de Azar, Paul McGuigan
O Novo Mundo, Terence Mallick
Marie Antoinette, Sofia Coppola
O Segredo de Brokeback Mountain, Ang Lee
Miami Vice, Michael Mann



Dos grandes e dos pequenos*


Penso cada vez mais que os grandes escritores são aqueles que os outros consideram pequenos, pois são estes que têm tudo a perder caso decidam deixar de escrever. Para eles escrever é tão essencial como o ar que respiram. Os outros, os que se dizem grandes, sobrevivem à custa dos bajuladores e arrivistas que esperam comer uma ou outra migalha, para depois arrotarem como se tivessem comido o maior dos banquetes.

*se este post não fizer sentido, também não era sua intenção o fazer

De quê e para quê?

«É contra o perigoso messianismo pacifista dos que hoje desejam instaurar uma ordem de segurança utópica regida apenas por puros meios sem fins que é preciso lutar. Quando se rebatem os fins na acção imanente que os meios efectuam sobre si mesmos, e se um meio, sem mais, se justifica a si mesmo independentemente de qualquer fim, para quê, então, os próprios meios? Meios de quê? Meios para quê?»

António Bento, «Meios e Fins», em Boca de Incêndio nº 4 e nº 5


Programa de Festas


Hoje, às 18h no café-concerto do TMG, lançamento da revista Boca de Incêndio.



Cenas da vida privada



A primeira produção da estrutura profissional de teatro do TMG foi E outros diálogos, de João Camilo. Este texto, que a Projéc~ levou a cena, surgiu do cruzamento de outros textos de João Camilo: Serão, No jardim, entre as árvores, Terrível, O Corpo e Substituições. Neles podemos encontrar todo o mundo das relações interpessoais, onde o amor aparece como tema central, com todos os seus melhores e piores momentos. Esse amor que começa por ser luminoso, mas que de um momento para o outro se transforma em rotina, intransponível e desgastante. Desta maneira, as personagens surgem como prisioneiras dessa mesma rotina, embora conscientes da necessidade de sonhar, de encontrar novamente o amor que se perdeu, tentando colocar de lado a ideia de que muitas vezes as relações humanas são um jogo de cedências em que todos ficam a ganhar, quando, na realidade, ninguém ganha. Há uma certa facilidade em o espectador se identificar com cada uma das personagens ou com cada uma das situações, pois aquelas são as obsessões, contradições, inquietações, alegrias e tristezas que já todos nós vivemos um dia, pois em cada um dos episódios representados é a nossa intimidade, a de cada um, que se encontra exposta. Como refere o autor, numa nota prévia, tais episódios representam «cenas da vida privada. Não tão privada como isso, provavelmente, pois sempre se pode ir mais longe nessa direcção. Mas suficientemente privada, creio, para nos deixar entender a importância da verdade no amor e nas relações humanas». Todavia, apesar desse entendimento e da importância do amor nas relações de cada dia, o espectador no final não deixa de se interrogar: será o amor realmente possível? A pergunta, porventura, ficará por responder. Como todas as outras que tantas vezes nos fazemos.

Foto: Armando Neves


11º


E então o Senhor disse: «Não publicarás no blog no dia de Natal».


Feliz Natal

«Falam do menino que nasceu e da nossa própria infância que nele nasceu e da sacralização do tempo e dos começos da vida que começa antes de ter começado. O Natal é assim a legenda do que nunca existiu, do mistério da iniciação, da memória absoluta.»

Vergílio Ferreira, Conta-Corrente 3, Lisboa, Bertrand Editora, 2ª edição, 1990, pág. 199.



O caminho para lugar nenhum

Bret Easton Ellis foi visto como a voz de uma nova geração que tinha crescido ao som dos vídeos da MTV (levando mesmo alguns críticos a considerar o romance de estreia do autor norte-americano o primeiro “romance MTV”). Para isso também terá contribuído o facto de Menos que Zero estar dividido em breves cenas do quotidiano, que muito lembram os vídeos musicais. No caso de Menos que Zero a música é um factor muito importante: não podemos esquecer que o título do romance deriva do título de uma música de Elvis Costello, onde o mundo é visto como algo que está fora do sítio, controlado pelos meios de comunicação e a caminho do caos total. O próprio romance está repleto de referências a elementos da cultura popular Norte-americana. Existem referências à vários grupos musicais dos anos oitenta: The Go-Gos’s, Peter Gabriel, Duran Duran, INXS, U2, XTC, Adam Ant, Sting, The Clash, entre outros. Estas referências tanto aparecem em posters, em t-shirts, ou como som de fundo. Para além do tema da música, e das drogas, Menos que Zero é também percorrido pelo tema da morte. Clay (o protagonista) vive atormentado pela morte ou por imagens relacionadas com ela. No entanto, tanto Clay como os seus amigos percepcionam a morte ou as suas imagens como formas de entretenimento, não muito diferente da televisão. Exemplo dessa atitude é quando o corpo de um jovem é encontrado num beco: a notícia vai correndo de boca em boca e grupos de jovens ocorrem ao local para satisfazer a sua curiosidade. Nenhuma das personagens (incluindo Clay) parece demonstrar qualquer emoção; nem preocupação ou intenção de avisar a polícia sobre o achado. Menos que Zero poderá ser lido como uma sátira. No entanto, é um livro cru e duro, que retrata uma geração que experimentou o sexo, as drogas e o desapego desde muito cedo. Uma geração que não demonstra qualquer tido de emoções ou até convicções (nomeadamente a nível político). Uma geração sem qualquer aspiração, sem qualquer desejo: prefere viver o dia-a-dia ao som da MTV, carros rápidos, e do prazer fugaz do abuso de drogas. Bret Easton Ellis, a voz de uma geração? Talvez.

Bret Easton Ellis, Menos que Zero, Lisboa, Editorial Teorema, 3ª edição, 2000, 152 páginas. (tradução de Carlos Santos do original: Less than Zero, Simon and Schuster , New York, 1985)

Projéc~

É o nome da estrutura profissional de produção teatral do Teatro Municipal da Guarda, que pretende ser um projecto irreverente e activo, e que vai procurar desenvolver trabalhos teatrais. Em boa hora tal acontece. Apesar do excelente trabalho que o Aquilo Teatro tem desenvolvido há mais de duas décadas, há muito que a Guarda necessitava de uma estrutura profissional na área do teatro. A estreia deu-se dia 27 de Setembro de 2006, com a peça de teatro E outros diálogos, de João Camilo, numa encenação de Luciano Amarelo, música original de Albrecht Loops, e desenho de luz de José Neves e Luciano Amarelo. A segunda produção está já agendada para o próximo dia 10 de Janeiro: A Cozinha Canibal, de Roland Topor, numa encenação de Américo Rodrigues.


Boca de Incêndio


No dia 27 deste mês, pelas 18h00, será apresentado mais um número da revista Boca de Incêndio. A sessão terá lugar no Café Concerto do TMG, a cargo de Pedro Dias de Almeida, natural da Guarda, jornalista da "Visão". A Boca de Incêndio é uma revista semestral de âmbito literário e artístico, cujo número inaugural saiu em Maio de 2004. Nela são incluídos pequenos textos literários, necessariamente inéditos (conto, poesia), recensões, ensaios, artigos de opinião, trabalhos de investigação, desenhos, gravuras, banda desenhada. O leque de colaboradores tem um âmbito internacional e compreende escritores, poetas, artistas plásticos e investigadores.

Edição: Aquilo Teatro


Direcção: Américo Rodrigues, António Godinho, Maria Lino


Concepção gráfica e paginação: Alexandre Gamelas


Colaborações (neste número): António Bento, António Godinho, Barbara Spielmann, Barbara Assis Pacheco, Claire Moreau, Edmundo Cordeiro, Carlos Alberto Machado, Doris Cordes-Vollert, E. M. de Melo e Castro, Joan Lazeanu, João Camilo, José Oliveira, Jorge dos Reis, José Manuel Gomes Pinto, Kerstin Franke-Gneuss, Susann Becker, Tiago Rodrigues e Vítor Pomar.



Sectarismo


Nunca entendi muito bem a frase: «Paz aos homens de boa vontade». Então e paz para os homens de má vontade, não há? Talvez seja mais necessária a esses do que àqueles.

A voz e as vísceras


Enquadrar no plano teórico a poesia sonora de Américo Rodrigues não é tarefa fácil, devido ao facto de ao longo da história da poesia sonora várias serem as suas manifestações e definições: os futuristas russos procuraram isolar o aspecto fonético e concreto da língua como o centro de interesse, para eles a linguagem poética organizava-se a partir do fonema; o futurismo italiano centrou-se mais na estrutura sintáctica das frases, procurando libertá-las da sua forma linear; o dadaísmo desafia a categorização do teatro, musica e poesia, dando mais importância à improvisação e às espontâneas e aleatórias possibilidades que a voz oferece; os letristas procuravam a experimentação linguística, através da exploração de um novo léxico, que seria utilizado na performance vocal. No seu disco O Despertar do Funâmbulo, palavra e voz cruzam-se constantemente. No entanto, é a voz que ocupa o lugar central, que é preenchido com todas as possibilidades/relações que a própria palavra oferece: seja pela pura vocalização ou pelas variações fonéticas e rítmicas criadas por Américo Rodrigues. Contudo, outras características conferem a O Despertar do Funâmbulo consistência: a desconstrução/transformação da matéria fonética em matéria plástica e acústica; a exploração de certas dinâmicas de desverbalização e reverbalização; a exploração de uma semântica do som; para além do acompanhamento musical em quase todas as faixas, excepção feita a Estilhaços, onde o autor leva ao limite todos os músculos da boca. Em Escatologia o autor explora outros territórios da poesia sonora. O autor leva-nos numa viagem através do sentido dos sons e das palavras, procurando, assim, interrogar quem o ouve. É no jogo e nas combinações de sons, bem como na sua exploração, que Américo Rodrigues retira às palavras e às ideias os significados a que normalmente as associamos, o que perturba na maior parte das vezes. Destaque, também, para a subversão (profanação?) total e completa de certos ícones da cultura portuguesa: a título de exemplo a reprodução dos primeiros versos de Os Lusíadas enquanto come batata frita. Mas é na torrente, na avalanche de sons, que Américo Rodrigues procura encontrar a palavra inicial, aquela que tudo originou, a palavra primordial que, como um relâmpago, criou o Universo. Tal facto leva-nos a levantar a questão: terá sido Deus o primeiro poeta-sonoro? No seu trabalho Aorta Tocante, Américo Rodrigues explora as capacidades sonoras de um instrumento vegetal que popularmente é designado por «trombone de aboboreira». Através do sopro esse instrumento vibra de uma forma que o autor designa de «inigualável». Aos sons do trombone de aboboreira, Américo Rodrigues junta a sua própria voz. Mas desengane-se quem pensar que se trata de um mero jogo lúdico onde a diversão é o principal objectivo. Em Aorta Tocante o trabalho vocal de Américo Rodrigues inspira-se nas tradições xamanísticas, onde uma série de sons envolve o ouvinte, transportando-o para esses lugares onde homens desafiam demónios, evocando-os. É aqui que reside a principal questão levantada pela poesia sonora de Américo Rodrigues e que surge desse conflito entre o bem e o mal: quem ganhará?


A importância de não ler


Acordei tarde para a leitura. Quando era mais pequeno os meus pais bem que insistiram comigo. Durante algum tempo, no Dia da Criança, ofereciam-me sempre um livro da colecção Os Grandes Clássicos Infantis das Publicações Europa-América. Depois, com o passar do tempo, passaram a ser Os Grandes Clássicos Juvenis. Recebi: A Flecha Negra, de Robert L. Stevenson, Moby Dick, de Herman Melville, Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, entre outros. Nunca os li. Os meus pais continuaram a insistir. Dos meus seis aos meus quinze anos devo ter lido três livros: dois da colecção Uma Aventura e As Pupilas do Senhor Reitor de Júlio Dinis (andava eu no 7º ano). Até ao dia em que tive que ler Frei Luís de Sousa e As Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett e Eurico, o Presbítero de Alexandre Herculano e A Família Inglesa de Júlio Dinis e Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco e Os Maias de Eça de Queiroz. Isto tudo no 11º ano de Humanísticas. Devo confessar que ler ler só li Frei Luís de Sousa, Eurico, o Presbítero e A Família Inglesa. Os outros três não fui capaz. O mais interessante é que ainda hoje há uma certa resistência em o fazer. E penso que nunca o farei. No entanto, a não leitura destas obras levou-me à leitura de outras. Eu explico. Por exemplo, a não leitura de Viagens na Minha Terra trouxe-me a poesia de Almeida Garrett; a não leitura de Os Maias trouxe-me a leitura de Os Gatos de Fialho de Almeida, das poesias de Antero de Quental e Cesário Verde; a não leitura de Amor de Perdição, não me trouxe nada (agora que me lembro); a não leitura dos Clássicos Infantis e Juvenis trouxe-me, por mais estranho que pareça, a sede de ler.

Sobre o conluio

O Teatro das Beiras, numa encenação de Américo Rodrigues, trouxe até ao Teatro Municipal da Guarda a peça «O conluio de Beckett, Ionesco e Salazar contra o jovem autor», que teve por base quatro pequenas peças de teatro do absurdo de Luiz de Castro, agora relidas e editadas por E. M. de Melo e Castro, escritas nos anos 50 do século XX. Os textos têm como principais características a falta de esperança, o aparente conformismo, o tempo que é implacável. Na peça «A Semana» tais características estão mais vincadas: a personagem principal inicia a semana (metáfora da vida) cheio de energia, mas aos poucos vai ficando cada vez mais apático, rendendo-se ao inevitável final. Resta apenas: «dormir e aceitar a espera» ou «a possibilidade da revolta», nas palavras da Pintora, uma outra personagem. O publico que decida. E fará algum sentido o teatro do absurdo nos nossos dias? A pergunta não é minha, é o encenador que a faz num pequeno texto de apresentação da peça. Ele, o encenador, diz acreditar que sim, que faz todo o sentido, pois dessa maneira «o absurdo das nossas vidinhas» torna-se mais visível. Di-lo com razão. Cada vez mais o absurdo pode ser encontrado ao virar da esquina, pois o mundo em que vivemos em nada é razoável. Na realidade: «O que interessa (...) não são tanto as descobertas absurdas, são as suas consequências.»*. E é sem dúvida isso que esta peça de teatro nos mostra.

Foto: Armando Neves

*Albert Camus, O Mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo, Lisboa, Livros do Brasil, 1979, p. 28.

Frio, muito frio

Hoje o dia começou frio, ventoso e com neve no alto da Serra. A temperatura exterior é tudo menos amena. Mas aqui dentro o aquecimento central ligado equilibra as coisas.

Programa de festas

O destaque vai para a peça de teatro O conluio de Beckett, Ionesco e Salazar contra o jovem autor, pela companhia de Teatro das Beiras, com encenação de Américo Rodrigues, hoje às 21h30m no Teatro Municipal da Guarda.


Do mínimo


para o Luís Ene


1.

Sabia de cor as ruas da sua cidade. Mas muitas vezes perdia-se.


2.

Cedo descobriu que o amor não vinha nas linhas das mãos.


3.

Nos dias em que a solidão batia à porta, não havia ninguém.