Desabafo
Porra para a poesia!
Sobre Portugal e os Portugueses
«E que quer V. Md. que eu diga de gente que só tem quatro palmos de terra, toda monte e pederneyra, que parece juerou Ds. Hespanha, e deixou cá o oleo e deitou lá o cascabulho? Pela qual razão dizia hum embaixador que foy a Portugal que bem parecia terra dada em dote a genro e não a filho»
Thomé Pinheiro da Veiga (Turpin), Fastigímia, Lisboa, INCM, 1988, p. 43.
Café Mondego
Américo Rodrigues, poeta-sonoro e Director Artístico do TMG (Teatro Municipal da Guarda), tem um blog. Podem encontrá-lo aqui.
Lobo Antunes e eu
O último romance de Lobo Antunes foi publicado. Decidi que não o vou comprar nem ler. Do autor li, com gosto, Memória de Elefante, Cú de Judas e As Naus. Depois, li, com algum esforço, O que farei quando tudo arde, e, mesmo assim, comprei Boa tarde às coisas aqui em baixo, que tentei ler até ao final do primeiro capítulo. Mas não cometi o erro de comprar Eu hei-de amar uma pedra. Memória de Elefante e Cú de Judas impressionaram-me pela rudeza das palavras, o estilo seco, depurado, frio. Nas Naus agradou-me o cruzamento entre a história e a realidade contemporânea de uma “Lixboa” e de um Portugal que talvez não tenham mudado assim tanto. Com O que farei quando tudo arde descobri o que é renda de bilros. Boa tarde às coisas aqui em baixo: uma cacofonia. Com o lançamento do último romance os jornais enchem-se de entrevistas, retrospectivas, críticas, quase sempre elogiosas, pois dizer mal de um escritor como Lobo Antunes é ser considerado imbecil. Eu próprio, às vezes, penso se serei ou não imbecil por não entender a escrita de Lobo Antunes. Eu que até tenho Lobo Antunes como um dos meus autores favoritos no perfil do hi5! Eu que até me encontrei com ele numa sessão de autógrafos! Eu que tive como pediatra, até aos três anos, um dos irmãos Lobo Antunes! Mas o meu gosto por Lobo Antunes resume-se a três livros, que é o mesmo que dizer que se gosta dos Pink Floyd sem se saber quem foi Syd Barret.
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