Viu-o pela primeira vez no café do costume. Soube que era um leitor compulsivo, que vivia rodeado de livros e que dava aulas, onde ensinava que toda a literatura era inútil e que só servia para alimentar o ego de quem escrevia e de quem lia. Mas era a maneira como ele pegava no cigarro que lhe chamou a atenção. Isso e o facto de durante todo aquele tempo nunca ter deixado de olhar para ela.
Não sei se alguma vez te amei realmente. Talvez. Nunca levantei essa questão com as outras relações, pois só se resumiam a boas fodas. Contigo também houve boas fodas. Mas fico com a sensação que foram mais as vezes que fiz amor contigo do que as vezes que te fodi.
Quando regressei já não estavas. Ao sair de manhã deixei-te algum café feito, um bilhete a dizer que voltaria mais tarde: o café estava óptimo, escreveste por baixo da minha letra. E mesmo assim não esperaste.