14.

Agarrou-a. Não tinha a intenção de a deixar fugir. Puxou-a para junto de si. A mão subiu-lhe a saia: quero-te.

15.

Começava a estranhar o seu corpo junto a si. Por vezes não suportava o seu toque, o respirar. Daquele lado da cama começava a existir um corpo estranho. Um corpo que já não apetecia agarrar, aquecer-se junto a ele nas noites mais frias.

16.

Sempre tinha tomado ali o primeiro café do dia. Nunca tinha reparado nela. Até àquele momento.

17.

Tinham falado até tarde, sem dar pelo passar das horas.

18.

Durante toda a noite percorreu a cidade. Foi aos bares do costume, onde costumavam beber até que o desejo lhes dizia que era hora de ir para casa. Queria encontrá-la. Tinha de.

11.

Chegaste entre o fumo, o som ensurdecedor. Bebeste do meu copo até ao fim. Disseste: vem.

12.

No dia seguinte já não estavas. Apenas um bilhete: há café feito, volto mais tarde. Fumei um cigarro à janela da cozinha. Não esperei por ti.

13.

Chovia.
Estava deitada. Olhava fixamente o tecto. Esperava o toque da campainha. Tinha passado parte da tarde ali. Esperava. Talvez a chuva o tenha atrasado: pensava. Acendeu o último cigarro. Fechou os olhos. Esperou. Talvez a chuva: pensava: talvez a chuva. Mas sabia que essa não era a razão.