Ao abrir a porta sentiu o ar quente. Viu a cama por fazer. A roupa amontoada a um canto. Pontas de cigarro no cinzeiro. Abriu uma janela para que entrasse algum ar fresco. Alguma luz. A janela dava para um pequeno pátio fechado. No topo dos telhados: pequenos vasos de flores. Todas as janelas dos quartos daquele hotel davam para aquele pátio. Observou algumas delas. Imaginou o que acontecia do lado de lá. Talvez alguém ainda dormisse. Ou talvez fizesse amor. Ou partisse. Decidiu sentar-se aos pés da cama. Esperava que ele chegasse. Tinha muito para lhe dizer. Dizer que ia partir. Tinha de partir. Dizer que não fazia sentido aquela relação. Que algo se tinha perdido. Dizer não te amo e não consigo mais fingir o amor. Era isso que tinha para lhe dizer. E não sabia como.